A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

A desordem do mundo na quarentena de Bordallo

Um lamento de Emanuel Macron sacudiu as manchetes, esta semana.

Foi uma chamada de atenção para a "desordem do mundo" e para a "desordem da ONU".
O presidente francês não tem dúvidas de que as paredes das Nações Unidas "estão a rachar" e de que isso acontece, não poucas vezes, "sob os golpes desferidos por aqueles que as construíram".

Foi o lamento transmitido em vídeo, em plena cimeira "virtual", na passagem dos 75 anos das Nações Unidas. Neste contexto, Macron pretendeu envolver as Nações Unidas no desenvolvimento de uma estratégia de combate à pandemia da covid-19 e às alterações climáticas.

Trump disputou o centro do palco por outras razões e dando porventura mais material utilizável pelos sucessores de Bordallo.

Veremos, neste magazine, quantas maneiras há de "gozar com quem trabalha".

Da ida de Ana Gomes ao programa de Ricardo Araújo Pereira, do quase bloqueio norte-americano ao Tik Tok e da súbita euforia de Trump com a solução encontrada, das candidaturas de duas mulheres africanas à presidência da OMC e da batalha de uma médica-jornalista pela imunidade contra a desinformação, pano e mangas não faltam aos comentadores residentes do magazine dos domingos, mesmo se Rita Figueiras e Paulo Pedroso não acabam de desembarcar de um paquete chegado do Brasil. É um lazareto suave, este que partilhamos. Mais ou menos confinados a medos ou perplexidades. Já o lazareto de Bordallo foi uma dura experiência de quarentena a que obrigaram o artista chegado, em 1879, de um Brasil onde campeava a febre amarela.

Das 56 páginas de anotações mordazes de Bordalo, nesse cativeiro do lazareto de Porto Brandão, daremos conta, com a reportagem de Teresa Dias Mendes. Folhearemos o livrinho agora trazido de volta pela editora Pim, pela Egeac e pelo Museu Bordallo Pinheiro, que a repórter visitou, no Campo Grande, e onde conversou com o coordenador João Alpoim Botelho.

O livro leva-nos ao Lazareto de Porto Brandão onde, em 1879, depois de quatro anos passados no Brasil assolado pela febre amarela, Raphael Bordallo Pinheiro sonhou. Ele o escreve e desenha: "Encerrado nas grades da prisão, sonho com Lisboa. Estendo os braços à pátria que me fica defronte. Vejo-a tal qual era dantes, estirada à sombra da fresca laranjeira. À porta da Casa Havaneza, os mesmos grupos. Implicando com as mesmas senhoras. Um, que quando eu partia para o Brasil acendia majestosamente um charuto, acaba agora mesmo de o fumar". E por aí fora...

Está entretanto o Zé Povinho, de máscara ou sem ela, diante do televisor.

Com renovados motivos para ensaiar o monumental manguito.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de