A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

A erradicação da pobreza, a pobreza da comunicação, as pedras e as armas

Ouça a primeira edição da magazine "A Espantosa Realidade das Coisas", por Fernando Alves.

Na primeira edição do magazine "A Espantosa Realidade das Coisas", o jornalista Fernando Alves conversa com os comentadores residentes, o sociólogo Paulo Pedroso, representante de Portugal na administração do Banco Mundial, e Rita Figueiras, professora de Comunicação Política e Ciências da Comunicação na Universidade Católica.

Interrogado sobre se António Costa tem condições para erradicar a pobreza em Portugal na próxima legislatura, Paulo Pedroso responde que sim, "mas não pelo ângulo que ele anunciou na campanha eleitoral". "Sempre que, durante a campanha, falou na erradicação da pobreza, António Costa falou apenas dos idosos. E falou de uma medida muito importante, o Complemento Solidário para Idosos. Mas em Portugal a pobreza mudou nas últimas décadas, em grande parte pelo sucesso da política para os idosos". Paulo Pedroso sublinha que, hoje, "outras áreas estão desguarnecidas". Para o sociólogo e professor no ISCTE, "o maior risco de pobreza, em Portugal, atinge as pessoas desempregadas. Os nossos grupos sociais mais pobres são os das famílias com três ou mais filhos. Dentro deste grupo, há uma maior probabilidade de cair na pobreza". Paulo Pedroso conclui que, "se quisermos erradicar a pobreza em Portugal, temos de melhorar a protecção dos desempregados e temos de melhorar a protecção das famílias".

Interrogado sobre se um jovem desempregado está mais desarmado do que alguém mais velho, o sociólogo responde que sim: "Porque o subsídio de desemprego está montado para proteger menos os jovens, porque a precariedade no emprego afecta mais os jovens, porque os salários mais baixos afectam mais os jovens".

Depois de ensaiar uma explicação para o facto de o combate à pobreza ter estado ausente da campanha eleitoral, Paulo Pedroso lança uma pergunta: "O que é ser pobre? É só não ter nada ou é também não participar, de um modo justo, nas oportunidades de vida da sociedade? Eu creio que na Europa de hoje temos de ser exigentes e entender que ser pobre é esta segunda dimensão".

Passada a campanha, vamos ter populismo "até dizer Chega"?

Rita Figueiras, professora de Ciências da Comunicação e Comunicação Política na Universidade Católica, ela também comentadora residente no magazine dos domingos na TSF, acredita que sim. E adverte para a necessidade de ter em conta o fenómeno, não apenas pelas suas raízes económicas, sociais e políticas, "mas também pelo factor mediático, muito importante, principalmente no contexto actual do ecossistema mediático, em que a crise financeira dos media tradicionais é evidente, em que há cada vez menos recursos para trabalhar (e isso tem transformado, até, as linhas editoriais dos media). O discurso populista colhe muito bem neste contexto. É um discurso que não é muito exigente para os próprios jornalistas. Dá títulos bombásticos que já estão feitos, não é preciso mexer".

Para a professora Rita Figueiras, o discurso populista que agora ganha terreno é " um discurso de slogans fortes, beligerante, agressivo, emocional e isso, numa lógica comercial, mais agora com a concentração da propriedade que estamos a ver em curso, pode ganhar ainda mais expressão".

A professora da Universidade Católica constata que o discurso populista é "incorporado no discurso dos partidos do mainstream".

E deixa uma anotação: "À chamada era da pós-verdade parece suceder a era da pós-vergonha".

E que pedras são aquelas?

O magazine editado pelo jornalista Fernando Alves visita, ainda, o atelier do mestre canteiro ornatista Avelino Baleia, em Casais de Cabrela, perto de Pêro Pinheiro. Trata-se do último oficiante de uma arte que fica quase sempre na sombra do trabalho escultórico.

Ele trabalhou, ainda muito jovem, com Leopoldo de Almeida, no Padrão dos Descobrimentos. E dedicou a vida a esculpir no mármore ou no granito o que muitos escultores lhe entregaram em gesso. Mas não deixou de assinar as suas próprias criações, entre elas a foca colocada à entrada do Aquário Vasco da Gama.

"Já não há aprendizes desta arte?" , perguntou-lhe o repórter. "Não há", respondeu. "Embora haja quem queira aprender".

Há muitas histórias guardadas na grande nave onde Avelino Baleia passa os dias, ouvindo os aviões da Base Aérea de Sintra ou olhando o castelo, ao longe. "Aqui estou, no resto que sobra do Paraíso", diz o mestre canteiro.

Escutai, entretanto, o som da SCAR -L

Depois da G-3, o Exército abraça a SCAR-L.

A repórter Teresa Dias Mendes foi à Escola de Armas de Mafra conhecer a nova espingarda de assalto. A arma ligeira agora adoptada pelo Exército português é mais leve que a "velha" G-3. "Foi desenhada para a componente de Operações Especiais dos Estados Unidos da América e está perfeitamente testada em teatros de várias intensidades e tem provado que é uma arma bastante fiável", sublinha o tenente-coronel de Artilharia, Simão Sousa.

A nova arma adapta-se ao corpo de quem a utilize. "Com a integração de mulheres no Exército, a amplitude de estaturas a que temos de nos adaptar é muito maior", explica outro militar. Foi nesse momento que a repórter pegou, pela primeira vez numa arma. A SCAR só foi testada por 17 homens.

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