A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

A "informalidade radical" de Trump: coisas simples, muito repetidas

Na semana em que o Presidente da República alertou para a necessidade de compreender e consensualizar as "medidas radicais" contra a covid-19 (o que levou o Expresso a chamar a Marcelo "o radical consensual"), uma especialista em questões de linguagem explicou, em entrevista ao Público, por que é que aquilo a que chamou a "informalidade radical" de Trump lhe permite marcar pontos. "Informalidade radical" e "repetição", eis a chave. Coisas simples, palavrões, frases penduradas, explicou Anna Szilágyi. "Coisas simples muitas vezes repetidas".

No caso de Trump, não é necessário usarmos a expressão "uma mentira muitas vezes repetida", pois basta-lhe dizer o que quer que seja, mil vezes repetido.

Ultrapassada a depressão Bárbara, os comentadores-residentes do magazine dos domingos, o sociólogo e professor do ISCTE Paulo Pedroso e a professora de Ciências da Comunicação e Comunicação Política da Universidade Católica de Lisboa Rita Figueiras avaliam as vantagens e desvantagens dessa "informalidade radical". Deveremos privilegiar o discurso feito de coisas simples repetidas, o discurso daqueles que parecem falar como nós?

Uma das conclusões obtidas: Estamos num patamar do discurso político que simplifica demasiado o mundo e essa simplificação é perigosa porque encolhe a nossa capacidade de compreensão do que se passa em redor.

O programa reflecte ainda sobre a serenidade eficiente e firme da mensagem durante a qual a chanceler alemã Angela Merkel perguntou aos seus concidadãos: "Que pode cada um de nós fazer para abrandar o ritmo do contágio?".

E a professora Rita Figueiras analisa a longa entrevista de Paulo Portas ao Público. Uma entrevista cheia de subtilezas, durante a qual o antigo líder do CDS foi confrontado com a pergunta "Pode ter sido um erro ter Marcelo infantilizado o país em vez de o ter mobilizado? E quando for preciso mobilizá-los, os portugueses, anestesiados com tanta selfie, serão mobilizáveis?". Portas respondeu: " O que sucede é que o facto de o PR ser uma pessoa hiperactiva tem muitas vezes como consequência que se estabeleça uma confusão entre a forma e o fundo: a abundância da forma não permite frequentemente perceber com nitidez a relevância do fundo".

Entre forma e fundo, somos tocados pela Espantosa Realidade das Coisas.

A repórter Teresa Dias Mendes conta-nos o caso de uma jovem semi-finalista do concurso The Voice que dedicou à avó a sua própria versão da "Canção de Embalar", de José Afonso, quando o programa organizou uma recolha de fundos para ventiladores.

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