A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

A segunda vaga de pobreza

É provável que venha aí uma segunda vaga da pandemia. Mais do que certo é que virá uma segunda vaga de pobreza, a maior dos últimos trinta anos.

Uma projecção da OCDE estabelece um quadro sombrio que não atingira tais proporções nas últimas três décadas: o número de pobres vai aumentar "de forma desproporcional". Estima-se que, já em 2020, surjam cerca de 500 milhões de novos pobres, a quinta parte dos quais ficarão em situação de pobreza extrema. O sociólogo Paulo Pedroso, professor do ISCTE e comentador residente do magazine "A Espantosa Realidade das Coisas", enquadra o cenário previsto pela OCDE à luz de uma anunciada quebra no financiamento às economias em desenvolvimento, um rude golpe para os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável.

Num comunicado divulgado há poucos dias, Jorge Moreira da Silva, director da Comunicação para o Desenvolvimento da OVDE afirma, sem rodeios, que "mesmo que não venha a ocorrer uma segunda vaga pandémica, é certo que os países em vias de desenvolvimento não escaparão a uma nova vaga de pobreza".

Entretanto uma pergunta ganhou as páginas do Guardian: "Como conseguirão os países pobres aceder à vacina contra o coronavírus??. A pergunta decorre da convicção de que a aliança entre as farmacêuticas e a filantropia pode deixar de fora os países pobres. Daí a pergunta colocada a Paulo Pedroso: Se assim for, podemos falar ainda em filantropia?

O editor do programa chama à conversa a professora de Ciências da Comunicação e Comunicação Política da Universidade Católica de Lisboa, Rita Figueiras, pedindo-lhe que analise o fenómeno Luís Mariz, um brasileiro nascido na Póvoa de Varzim, há 21 anos. Ele foi recentemente capa do JN (com língua de fora e dedos em V) porque já tem 20 milhões de seguidores. Só no Tik Tok são mais de 6,5 milhões os que não perdem pitada de Mariz. Juntando as várias plataformas em que se move ele é "seguido" pelo dobro da população portuguesa. O jovem, para quem o YouTube já deu o que tinha a dar, admite ganhar bom dinheiro com tamanha popularidade. As marcas já não prescindem dos seus serviços. A pergunta colocada aos comentadores residentes do magazine dos domingos tratava de saber por que é que a política tarda em descobrir este filão, ela que tantas vezes se confunde com o espectáculo.

Rita Figueiras comenta ainda a suspensão da publicidade de alguns dos maiores anunciantes do mundo no Facebook, reagindo à falta de compromisso deste rede social quanto ao controlo da informação tóxica e do discurso do ódio.

Começaram este fim de semana os Jardins de Verão da Gulbenkian, em Lisboa. Os jardins são um encantamento de sons e formas, revelando a ousadia da programação a cargo da galeria ZDB.

No anfiteatro, as noites podem ser de funaná ou música erudita. No esplendor da relva, há instalações que povoam de sonoridades inesperadas os trilhos percorridos pela repórter Teresa Dias Mendes, tendo Patrícia Portela como cicerone.

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