A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

A espantosa realidade das coisas

John Lennon e Yoko Ono

O inferno de Dante, o gabinete do ódio e a Santinha Aparecida

Dante Mantovani, o novo presidente da Funarte - a Fundação Nacional das Artes, no Brasil - deixou esta semana uma pérola no Youtube: "O rock leva ao aborto e ao satanismo". Para o homem a quem o governo de Bolsonaro incumbiu de promover as artes no país, " o rock activa a droga e a droga activa a indústria do aborto. Esta, por sua vez, alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo". Para Mantovani, John Lennon fez um pacto com o diabo e "agentes comunistas infiltrados na CIA foram responsáveis pela distribuição de LSD a jovens, durante o festival de Woodstock".

Acabou o condomínio Costa-Centeno? O silêncio de Centeno é de ouro? E o que faz um piano no meio da sala?

Acabou o condomínio Costa-Centeno? O silêncio de Centeno é de ouro? E o que faz um piano no meio da sala?

Temos ainda nos ouvidos os números prometidos por Pedro Siza Vieira para o investimento público ao longo da próxima legislatura. O ministro prometeu um aumento do investimento público superior a 10% em várias áreas. O jornalista Fernando Alves toma esta promessa como ponto de partida para a conversa com o sociólogo Paulo Pedroso, um dos comentadores residentes do magazine "A espantosa realidade das coisas", tratando de saber se 10 mil milhões de investimento em 4 anos é uma fasquia reconfortante, nestes dias em que as notícias parecem avisar para a falta de capital em Portugal. "É seguramente uma fasquia bastante mais alta do que a interior", responde o professor do ISCTE e administrador do Banco Mundial. "E aquilo a que nos habituámos, infelizmente, é que depois da troika, com o governo de Passos Coelho mas, também, com o governo anterior, acabou por ser o investimento público a perder mais. E quando nós deixamos de fazer investimento público, deixamos de construir hospitais, deixamos de construir escolas, deixamos de reparar as estradas. Na verdade, este ritmo não poderia continuar. É muito importante para a modernização do país que volte a haver investimento público, que volte a haver qualidade nos serviços públicos e eu espero que esta fatia nos vá permitir, agora, voltar a melhorar a saúde (que é a maior ansiedade dos portugueses) assim como voltar a apoiar, no que for possível, o tecido produtivo porque ter mais produtividade é, de longe, o nosso melhor desafio para uma economia de futuro".

O salário mínimo dará para a bica diária? O simplex transfonteiriço dará raia? Há palavras sem freio

O salário mínimo dará para a bica diária? O simplex transfonteiriço dará raia? Há palavras sem freio de Bolsonaro, numa emissão encadernada

Foram os repórteres, em alvoroço, registar o momento em que António Costa desceu do comboio no Pragal para tomar, com duas funcionárias do bar da estação, o prometido café. "Caso ganhasse as eleições", dissera Costa. Ganhou e foi. O jornalista Fernando Alves perguntou a Rita Figueiras, professora de Ciências da Comunicação e de Comunicação Política da Universidade Católica de Lisboa ( e comentadora residente do magazine dos domingos) se estamos face ao cumprimento de uma promessa estritamente pessoal ou de uma promessa eleitoral. "Foi uma promessa de campanha eleitoral que se cruza com uma promessa pessoal", respondeu Rita Figueiras. "Cada vez mais, a política é centrada em questões de carácter, no sentido em que os políticos são pessoas de confiança. E há outra dimensão, a da política de questões concretas, de pequenas coisas. Consolida-se a ideia de que se um político cumpre as pequenas coisas poderá ainda cumprir as grandes. Essa dimensão da pessoa de confiança que nos representa - porque aquilo que diz é aquilo que faz - pode ter, aqui, importância. Mas também gostaria de salientar outra dimensão que este caso parece ilustrar bem: a de que mesmo políticos que possam não ser populistas dificilmente resistem, de quando em vez, a adoptar estratégias de comunicação populista. Penso que este caso ilustra bem essa ideia. Isto parece uma espécie de 'marcelada' Podíamos ver Marcelo Rebelo de Sousa a fazer isto".

Dê-nos a sua pensão, nós tomamos conta de si. Uma gaita de beiços soa nestes dias a toque de Twitter

Dê-nos a sua pensão, nós tomamos conta de si. Uma gaita de beiços soa nestes dias a toque de Twitter

Nesta edição do magazine "A espantosa realidade das coisas", o sociólogo Paulo Pedroso, professor do ISCTE e representante de Portugal na administração do Banco Mundial, reflecte sobre os programas de envelhecimento activo, num país que é o terceiro mais envelhecido da União Europeia. À pergunta do jornalista Fernando Alves sobre se andamos ou não a distrair-nos cinicamente dos nossos mais velhos, Paulo Pedroso ressalva que a expressão "cinicamente" é talvez "muito forte": "O que acontece é que a velhice mudou de natureza. Nós tínhamos um problema de pensões desenhado essencialmente como um problema de velhice no tempo em que havia um grande drama: as pessoas iam viver algum tempo depois de perdida a capacidade física para trabalhar e iam ficar na pobreza. E foi isso que, num século, resolvemos. E em Portugal resolvemos bem. As nossas taxas de pobreza de idosos (que, há 30 ou 40 anos, eram gigantescas) são hoje bastante mais baixas."