A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

Chegámos ao limite biológico da nossa capacidade política?

A pergunta, inquietante, foi lançada há dias por Pepe Mujica, ex-presidente e actual senador do Uruguai, num artigo no jornal El Pais: "Estaremos nós, os humanos, chegando ao limite biológico da nossa capacidade política?".

Mujica interroga o futuro, o pós-coronavírus. Ele lembra que "não se deve navegar sem um leme". Mas observa que "parecemos esquecer-nos disso em plena globalização". "O que nos conduz", conclui o ex-presidente uruguaio, "é a força do mercado aliada à tecnologia, muito mais do que a consciência política. O velho liberalismo transformou-se, tornou-se liberismo e abandonou o seu humanismo".

Mujica leva o desencanto ao ponto de dizer: "Se eu pudesse acreditar em Deus, diria que a pandemia é uma advertência ao homo sapiens".

As perplexidades e as interrogações de Pepe Mujica servem de mote à participação de Paulo Pedroso, sociólogo e professor do ISCTE, um dos comentadores residentes do magazine dos domingos.

Paulo Pedroso aborda também as fortes críticas do músico costa-marfinense Alpha Blondy, à OMS e ao Ocidente "pelo modo como geriram o dossier do paludismo". Numa entrevista à RFI, o artista africano compara o desespero, a urgência e a escalada mediática criados pela covid 19 com a muito menor atenção dada ao paludismo. Alpha Blondy considera que, face à actual pandemia, se fosse África a pagar a factura mais elevada, o Ocidente não teria mobilizado tantos recursos para combater a doença. Outros temas analisados por Paulo Pedroso: o artigo do primeiro ministro etíope e prémio Nobel da Paz em 2019, Abiy Ahmed Ali, no New York Times sustentando a necessidade de um perdão da dívida global das nações mais pobres, num quadro insustentável que levou mais de metade dos países africanos a gastarem, o ano passado, mais no serviço da dívida do que na saúde. Por aí vai, também, o economista guineense Carlos Lopes, ex-director da Comissão Económica da ONU para África, numa recente entrevista ao Público

A professora de Ciências da Comunicação e Comunicação Política da Universidade Católica de Lisboa, Rita Figueiras, analisa os números divulgados pelos Repórteres Sem Fronteiras, na passagem de mais um Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Só este ano já foram assassinados 10 jornalistas e mais de 200 foram presos. Os Repórteres Sem Fronteiras falam em "jornalismo em confinamento". Muitos destes ataques foram desferidos a pretexto da pandemia, como foi denunciado por Josep Borrell, o responsável pela diplomacia da União Europeia. A China e a Hungria são dois dos países onde os jornalistas enfrentam as agruras da repressão oficial.

A comentadora residente do magazine analisa ainda a intervenção do Presidente da República junto das administrações dos principais grupos de media em Portugal.

A repórter Teresa Dias Mendes foi à Fábrica das Fitas, no jardim das Amoreiras, em Lisboa. Lá se fabricam, há décadas, as fitas para as celebrações académicas e para as condecorações oficiais. Agora a fábrica adaptou algumas das suas máquinas à produção de elásticos para máscaras anti-covid.

Um dos que se adaptaram às novas tarefas foi Carlos Manteigas. Tem 92 anos. Não usa máscara. Garante que nunca se constipa, nunca esteve doente. A repórter regista histórias de uma vida cheia e de uma saúde elástica

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