A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

Marcelo em Alta Definição, um triste tango argentino, os lugares do Zeca e Restos de Colecção

Ouça a edição desta semana da magazine "A Espantosa Realidade das Coisas", por Fernando Alves.

Rita Figueiras, a professora de Comunicação Política e Ciências da Comunicação da Universidade Católica de Lisboa comenta, nesta edição do magazine "A Espantosa Realidade das Coisas", a participação do Presidente da República no programa "Alta Definição" da SIC.

Confrontada pelo jornalista Fernando Alves com o facto de a política e o entretenimento andarem cada vez mais de mãos dadas, Rita Figueiras reflecte sobre "o crescente desinteresse pela informação associado ao crescente protagonismo das celebridades". A nova situação levou a que os políticos tivessem de aprender a estar em "novos palcos". E isso levou a que os discursos da emocionalidade e da auto-revelação ganhassem terreno.

"Nesta sociedade da revelação", observa Rita Figueiras, " as pessoas contam muito sobre si e partilham dimensões não-políticas que podem ser rentabilizadas politicamente".

A conversa demora-se nas declarações do Presidente da República e nas garantias por ele deixadas de que "não vai mudar de estilo".

E a possibilidade futura de um debate de campanha eleitoral entre Marcelo e Cristina Ferreira não foi descartada. Até porque a própria Cristina Ferreira, interpelada sobre a possibilidade de uma candidatura a Belém respondeu, há dias: "Não é uma ideia que eu afaste"

Triste tango argentino

Outro comentador residente do magazine de domingo, o sociólogo e professor do ISCTE Paulo Pedroso, abordou o aumento da pobreza na Argentina que elege um novo presidente no próximo domingo. No início do mandato, Mauricio Macri tinha colocado como prioridade a redução da pobreza a zero. Paulo Pedroso considera que ele foi "eufórico, com dois ou três pressupostos errados: estava convencido de que iria ter um investimento externo muito forte, o que não se verificou; que isso iria impulsionar o crescimento económico, o que não aconteceu; e anunciou medidas de política social para as quais nunca teve recursos financeiros". Para o ainda representante de Portugal na administração do Banco Mundial, "a geração de expectativas falsas corroeu a credibilidade e destruiu a oportunidade de manter o país equilibrado".

E o que temos, entretanto? Um quadro de recessão, sucessivas desvalorizações do peso, mais de três milhões de novos pobres. A pobreza atingiu 35% da população. "É uma nova queda aos infernos", conclui Paulo Pedroso. E acontece depois do maior financiamento de sempre do FMI.

Os lugares do Zeca

Vai, entretanto, a repórter Teresa Dias Mendes percorrendo os lugares do Zeca, os mais de 40 lugares de Setúbal inventariados no roteiro elaborado pelo investigador Albérico Afonso, professor no Instituto Politécnico da cidade a que o cantor dedicou a "Utopia". A primeira paragem é no restaurante "A Adega dos Garraões", um dos lugares frequentados pelo cantor. Mas a repórter não esqueceu o liceu onde o Zeca deu aulas ou o antigo edifício da Pide onde ele esteve, por duas vezes, detido.

Albérico Afonso lembra que, ali, na "Adega dos Garrafões", e na "Espanhola", um pouco mais à frente, foi realizado um pequeno filme de promoção do álbum "Galinhas do Mato".

"Os Lugares do Zeca na Geografia da Cidade", o roteiro que serviu de pretexto para esta revisitação da "cidade sem muros nem ameias", tem apresentação anunciada para o fim desta semana.

Restos de Colecção

Podemos encontrar outras imagens da antiga Setúbal no blogue Restos de Colecção que José Leite vai publicando desde há dez anos.

Mas a conversa do jornalista Fernando Alves com o homem que não desiste de fazer o passado presente foi marcada para o Campo Grande, em Lisboa, para não perder de vista os aviões que demandam a Portela. Agora que o novo aeroporto ganha os títulos dos jornais, eles recordam um Antigamente de cafés, igrejas, hotéis, teatros, armazéns comerciais, casas de fado percorrendo o blogue que nos leva a ver os primeiros aviões.

Resguardados da chuva dentro do automóvel de José Leite, eles descobrem que houve uma marca de cigarros "Aeroporto". E recordam o primeiro avião a jacto que, em 1960, sobrevoou o Campo Grande. Era um Caravelle da Air France

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