A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

Mil mortos da Covid-19 na capa do New York Times

Faz hoje oito dias, o jornal The New York Times dedicou toda a primeira página aos mil mortos da pandemia, na cidade que nunca dorme. Mil nomes, mil breves legendas de um obituário para a dor de nós todos. Porque, se lermos "Joe Diffie, 62 anos, natural de Nashville, estrela da música country, premiado com um Grammy", isso é connosco. Mesmo que não nos lembremos de "Pickup Man".

A capa do NYT dedicada aos mil mortos de Nova Iorque, quando os Estados Unidos se aproximavam dos 100 mil mortos da pandemia, foi analisada pelos comentadores residentes do magazine "A Espantosa Realidade das Coisas", o sociólogo e professor do ISCTE, Paulo Pedroso, e Rita Figueiras, professora de Comunicação Política e Ciências da Comunicação da Universidade Católica de Lisboa.

Rita Figueiras é ainda convidada a comentar a foto de Marcelo Rebelo de Sousa, de calções, máscara e luvas, aguardando a sua vez na fila das compras num supermercado, que deu volta ao mundo.

Políticos da margem esquerda, tão prestigiados como Ferro Rodrigues, fizeram já saber que votariam no actual presidente se as eleições fossem hoje. Mas entretanto houve movimentações mais do que subtis na área da esquerda. Por isso, o editor do magazine dos domingos perguntou a Paulo Pedroso se este é, por agora, um jogo de paciência para aparentes impacientes como Ana Gomes.

Outro tema posto à consideração dos comentadores residentes da Espantosa Realidade das Coisas foi o da saturação sentida pelos consumidores de informação. Um inquérito da Reuters realizado em meados de Maio permite concluir que a percentagem dos consumidores que se desligaram das notícias (não apenas do noticiário relacionado com a Covid-19) está já acima dos 20%. Em Abril, essa percentagem era da ordem dos 15%.

Rita Figueiras analisa ainda o modo como foi repartido o quinhão de apoio financeiro aos media, em contexto covid.

Paulo Pedroso aborda um relatório da OIT e da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa anunciando a criação de 15 milhões de empregos no mundo, caso se avance na via ecológica dos transportes. O relatório sustenta que a retoma da economia após a crise do novo coronavírus não pode traduzir-se pelo regresso às velhas práticas.

E o sociólogo comentador do magazine dos domingos é ainda confrontado com um ensaio agora publicado por dois investigadores da Fundação Jean Jaurés que tentam responder à pergunta "para que servem ainda os partidos políticos?". É uma pergunta formulada no contexto da pandemia que tem lançado os partidos da oposição numa espécie de impasse, já que a gestão da crise convoca preferencialmente os governos.

O magazine dos domingos apresenta-nos ainda Hélder Figueiredo, enfermeiro especialista de saúde mental e psiquiátrica do Hospital de São João, no Porto. O jornalista Fernando Alves conversou com ele, ambos de máscara, no hotel Vila Galé, no Porto, onde vive há dois meses e meio. Hélder tinha acabado de chegar, exausto, do hospital onde fizera o turno da noite.

O programa termina com uma outra breve conversa, desta vez à mesa do restaurante da Pensão Borges, em Baião, com Anabela Cardoso, a directora da Fundação Eça de Queirós. A administração da Fundação (fortemente afectada pela crise associada à pandemia) acaba de enviar uma carta aos deputados, lançando-lhes um apelo para que se tornem "amigos de Eça de Queirós, ou seja, amigos de Tormes". Aqui fica o último parágrafo da carta: "Sabemos que Eça malhou muito e bem na classe política, sabemos que em Tormes se encontra a secretária de onde lançava as suas Farpas, mas passaram cento e vinte anos. Esta é uma óptima e urgente oportunidade para mostrarem algum fair-play".

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