A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

O artigo 24 e outros ventos que sopram de Paris

Nesta edição do magazine A Espantosa Realidade das Coisas a professora de Ciências da Comunicação e de Comunicação Política da Universidade Católica de Lisboa, Rita Figueiras, comenta a Lei de Segurança Global apresentada esta semana pelo ministro francês do Interior.

O artigo 24 é o mais polémico da lei, ao condicionar severamente o trabalho dos jornalistas nas manifestações de rua. Um dos pontos inaceitáveis para os jornalistas é aquele que limita a possibilidade de a polícia ser filmada durante as acções de rua. Um deputado socialista chegou a afirmar que "nem Sarkozy foi tão longe". Pode estar em curso uma deriva autoritária, com ataques inéditos ao direito de informar?

A discussão da lei coincidiu com novos incidentes durante os quais a polícia expulsou centenas de migrantes acampados na Praça da República, em Paris. A violência policial registada pelos repórteres de imagem foi tão evidente que o próprio ministro do Interior considerou as imagens "chocantes" e mandou abrir uma investigação.

A comentadora residente do magazine dos domingos analisa, também, a importância de uma iniciativa sem fins lucrativos impulsionada por Júlia Cagé, presidente da Sociedade de Leitores do Monde, cujo objectivo é promover a participação de cidadãos e jornalistas como accionistas dos media, de modo a recuperar a confiança dos leitores.

E comenta uma entrevista de Marina Walker, uma jornalista argentina que dirige o Centro Pulitzer, ao jornal La Nacion. Marina Walker, cujo papel de coordenação foi determinante na investigação dos Panama Papers considera que "se verifica um incremento dos autoritarismos e que os jornalistas vão ser ainda mais ameaçados". Por isso defende um jornalismo colaborativo. É que "as histórias cruzam fronteiras, os fluxos de dinheiro são internacionais, os criminosos trabalham em rede e os jornalistas estão a deixar-se ficar para trás, investigando cada qual no seu canto".

O outro comentador residente do magazine, o sociólogo e professor do ISCTE Paulo Pedroso, é chamado a ponderar um novo nome para o Partido Socialista Francês, cujo Conselho Nacional acaba de convocar, para o próximo outono, um congresso de "refundação". O que se pretende é, na interpretação do jornal Le Monde, "mudar de nome para melhor convencer que se mudou verdadeiramente".

Paulo Pedroso analisa também uma notícia do Guardian confirmando que mulheres norte-coreanas trabalham até 18 horas por dia, sob vigilância constante, em fábricas das quais não podem sair, na cidade chinesa de Dandong, produzindo equipamento de protecção contra o Covid 19. Esse equipamento vai abastecer mercados como o dos Estados Unidos, Itália, Alemanha, África do Sul, Japão, Coreia do Sul, Filipinas, violando determinações das Nações Unidas. O que pode acontecer é que milhões de máscaras como as que usamos tenham sido produzidas com trabalho escravo norte-coreano, no lado chinês da fronteira.

Outro tema submetido à análise de Paulo Pedroso prende-se com a notícia do New York Times sobre a criação de um algoritmo associado à inteligência artificial, capaz de detectar potenciais suicidas. Há seis milhões de norte-americanos apanhados por este algoritmo que cruza dados relacionados com o emprego, o estado civil, o histórico de doenças ou de idas ao hospital, por exemplo. O NYT chama-lhe "uma espécie de caixa negra".

Cada qual com o seu papel numerado, somos levados pela repórter Teresa Dias Mendes à sala do estúdio da Time Out, no Mercado da Ribeira, em Lisboa, onde o actor Ivo Canelas mantém de pé a peça Todas as Coisas Maravilhosas. A peça trata de coisas terríveis como a depressão e a vertigem suicida. Mas também da importância que a música pode ter.

A reportagem traz-nos a voz de Rita. Ou será Gabriela?

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