A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

O estado de emergência era inevitável?

Este programa foi gravado poucas horas depois de termos entrado em estado de emergência. Foi esta uma medida inevitável?

O sociólogo Paulo Pedroso, professor do ISCTE e comentador residente do magazine dos domingos, considera que a medida era "completamente evitável".

"Não vejo nenhuma vantagem no estado de emergência. O que o estado de emergência faz é dar ao Estado poderes extraordinários de restrição de liberdades e de requisição de equipamentos privados. Com o que sabemos hoje sobre a estratégia de combate à expansão da doença, o objectivo é suavizar a curva, é procurar que com isolamento social haja menos casos na fase inicial; com a avaliação que podemos fazer do que tem sido a resposta dos portugueses, não há nenhuma razão para imaginar que seja necessária uma supressão de liberdades. E sem estado de emergência já tivemos isolamento no início da semana, no concelho de Ovar, quando se entendeu que havia uma situação de saúde pública que o justificava. Este é, portanto, um instrumento que não traz nenhuma vantagem no combate à doença e é uma restrição das liberdades que não devemos deixar banalizar".

"Hoje", lembra o sociólogo, "temos a democracia completamente estabilizada e não há grandes perigos de isso ser manipulado. Mas eu que já vivi algum tempo em estado de emergência na Turquia, o estado de emergência permite ao Estado coisas que se tornam desagradáveis. Se banalizarmos o recurso ao estado de emergência não sabemos o uso que, no futuro, lhe será dado".

Os comentadores residentes do magazine A Espantosa Realidade das Coisas, Paulo Pedroso e a professora de Comunicação Política e Ciências da Comunicação da Universidade Católica de Lisboa, Rita Figueiras, abordam ainda a experiência de aulas à distância, através da plataforma Colibri, em que têm estado envolvidos.

"Se esta situação se prolongar no tempo", alvitra Rita Figueiras, "novos códigos têm de ser introduzidos, como quando se usava o walkie talkie e era preciso anunciar que se iniciava e terminava a comunicação". Para a comentadora residente do magazine dos domingos, esta experiência coloca a necessidade de novas formas de gestão do que é agora a sala de aula e do que é a construção de uma comunidade, "porque uma turma é uma comunidade, na qual se vão construindo laços. E cada turma tem uma personalidade diferente. O processo estava a ser construído presencialmente. De alguma forma, o que já existia pode transitar e ser mantido neste regime mas tudo será muito difuso e os laçados tenderão a serem desatados à medida em que esta distância se consolidar como forma de comunicação".

O magazine aborda ainda as formas de criatividade engendradas pelo isolamento mas também o modo como o isolamento pode ser pretexto para o espectáculo do absurdo, partindo do caso de emissões do programa Big Brother que foram por diante, em vários países, sem que os concorrentes saibam o que se passa cá fora. Tudo decorre, para eles, como se vivessem num mundo sem coronavírus.

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