A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

O excesso de ruído nos debates ainda rende?

Aí estão os debates das presidenciais, dois a três por dia, em vários canais que, entretanto, se desdobram em debates sobre os debates.

Tem havido debates para todos os gostos, mais agrestes e mais suaves, mel e fel escorrem no ecrã. Quanto mais me debates mais gosto de ti?

Esta emissão do magazine dos domingos (gravada na teve um convidado especial, o jornalista free-lancer André Cunha, cuja pegada está associada a muitos momentos luminosos da história desta Rádio.

Ele e a comentadora residente Rita Figueiras, professora de Ciências da Comunicação e de Comunicação Política da Universidade Católica de Lisboa reflectem sobre o que fica dos vários confrontos, entre forma e fundo.

Marcelo dizendo a Ventura: "A minha direita é a social, a sua é a do medo". E Ventura exibindo a foto de Marcelo com moradores do bairro da Jamaica aos quais chamou "bandidos". Marcelo, em resposta: "Não divido os portugueses em puros e impuros". Tiago Mayan Gonçalves chamando ao actual presidente "ministro da propaganda do governo"; Ventura atropelando João Ferreira num debate que a moderadora considerou "em roda livre".

O excesso de ruído ainda rende?

No debate com André Ventura, Tino de Rans levou pedras do mar. Pedras de várias cores que ele próprio recolheu na praia. Não as arremessou, usou-as como metáfora para lembrar que "o mar não traz só pedras, também traz pessoas de todas as cores. E há muita gente que vem por esse mar à procura de um terreno firme. Mas há quem os receba criando muros". Que efeito pode ter uma metáfora como esta?

Ventura chamou a Mayan Gonçalves "travesti de direita". Tem havido mais crispação entre os candidatos à direita do que entre os candidatos à esquerda?

Dados os condicionalismos criados pela pandemia, os debates televisivos ganharam maior preponderância nesta campanha?

Fora desta campanha está Carmelinda Pereira, uma veterana da política portuguesa que, em 1976, fundou com Aires Rodrigues o POUS (Partido Operário de Unidade Socialista), de inspiração trotskista. Aires e Carmelinda tinham sido expulsos do Partido Socialista depois de votarem contra o orçamento do Estado do primeiro governo de Mário Soares.

Carmelinda Pereira marcou presença em quase todos os actos eleitorais até 2015, quando apoiou o Livre. Mais recentemente, o POUS correu os taipais e a sua extinção acaba de ser confirmada pelo Tribunal Constitucional. Na conversa que a professora aposentada Carmelinda Pereira teve esta semana com a jornalista Teresa Dias Mendes pressente-se a nostalgia dos dias eufóricos. Na conversa ecoam palavras de outros tempos. A ordem e a desordem que elas promoveram foram evocadas na semana em que a Porto Editora voltou a eleger a palavra do ano. Na calha estavam palavras como confinamento, tele-escola, covid-19, pandemia, sem abrigo, zaragatoa. A vencedora foi SAUDADE e esta vitória remete para a saudade das pequenas e grandes coisas maravilhosas que a pandemia nos retirou. O editor do magazine perguntou aos parceiros de conversa: Zaragatoamos as palavras em presença? E eles não se furtaram.

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