A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

Os EUA desmoronam-se? Depende da janela por onde se espreita

Quando as televisões começaram a mostrar imagens da invasão do Capitólio, a jornalista e podcaster norte-americana Emily VanDerWerff perguntou no site informativo Vox: "O país está a desmoronar-se?" Ela própria responde: "Depende da janela em que recebe as notícias". A jornalista observa que as notícias por cabo não conseguiram levá-la para dentro de um Capitólio cercado e ocupado. Mas o Twitch, sim.

Ela explica que as câmaras de televisão, na maior parte dos casos, foram barradas no exterior do Capitólio, apontadas a uma pequena multidão que circulava nas escadarias do edifício. Isso a levou a procurar as transmissões ao vivo no Twitch. É aí, mas também no Youtube ou no Facebook, que ela tem procurado perceber o que se passa no terreno desde os protestos após a morte de George Floyd. O editor do magazine A Espantosa Realidade das Coisas perguntou a Rita Figueiras, a professora de Ciências da Comunicação e Comunicação Política da Universidade Católica de Lisboa, o que é que Emily VanDerWerff verdadeiramente nos está a dizer.

Nesta edição, convidamos Manuel S. Fonseca, editor da Guerra e Paz, a explicar quais os benefícios da divulgação em português do panfleto de Joanathan Swift " Os Benefícios de Dar Peidos" (ou, na sua formulação mais perdulária, "Os Benefícios de dar Peidos Explicados ou a Causa Fundamental dos Episódios de Indisposição do Belo Sexo Investigada: Onde se prova, a posteriori, que a maioria dos mal-imundos que afligem as senhoras são culpa de flatulências não oportunamente ventiladas")

Como lembra M.S.Fonseca num texto introdutório, este é um filão que atraiu muitos outros génios da literatura, de Joyce a Beckett ou a Mark Twain. Daí a pergunta do editor do programa: Por que é que se torce o nariz a esta investida literária que depois, num ai, esgota nas livrarias?

Talvez daqui a uns anos procuremos alguns exemplares sobrantes ou descartados na Casa dos Livros, uma loja de alfarrabista mantida na Amadora por Manuel Monteiro, um velho marxista barbudo, transmontano de Vila Real. Manuel Monteiro foi camponês, operário, deputado, fundador da UDP. Agora a repórter Teresa Dias Mendes, entra na casa dos livros e não lhe passa despercebido um velho rádio numa prateleira. Sintonizados para a conversa, o alfarrabista garantiu à repórter que vendeu mais, com o confinamento. Poderá dizer o mesmo o grande cronista Manuel S. Fonseca, editor da Guerra e Paz, agora que as livrarias só podem respirar ao postigo?

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de