A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

Por onde andam os jornalistas?

Na última segunda-feira, J-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, perguntou no jornal Público: "Por onde andam os jornalistas?". Para o autor de "Media, Informação e Democracia", "a triste verdade salta aos olhos: a grande maioria dos jornalistas deixou de ir para o terreno. Deixou de andar pelas ruas e estradas deste país, de frequentar as gentes deste povo, para ver e ouvir o que se passa, para saber o que lhes interessa ou os preocupa na vida quotidiana. Vive sobretudo com colegas, amigos e companheiros em restaurantes, cafés e bares que fazem parte da rotina diária (...) Diga-se em abono da verdade: muitos jornalistas saem cada vez menos das redacções. Até porque são poucos e dispõem de escasso tempo para a fabricação diária a contra-relógio dos jornais. Mas também porque a paparoca chega quotidianamente em grandes doses aos seus computadores: comunicados, grafismos, gravações de som ou de imagem. E neste fornecimento de peças prontas-a-publicar são, evidentemente, as instituições e empresas que têm maior capacidade de produção".

Há neste retrato implacável e certeiro mais do que um ângulo de reflexão.

Os dois comentadores-residentes do magazine dos domingos, Rita Figueiras, professora de Ciências da Comunicação e de Comunicação Política da Universidade Católica de Lisboa, e Paulo Pedroso, sociólogo e professor do ISCTE, ajudam-nos a responder às questões levantadas pelo professor Nobre-Correia. Quer as mais relacionadas com a aparente desvalorização da função social do jornalismo, quer as que se prendem com a aparente perda de eficácia da resposta que o jornalismo ainda vai ensaiando.

A crítica mais contundente de Nobre-Correia é a de que os jornais ( e sobretudo os audiovisuais) dão cada vez mais a sensação de serem "meros canais de assessorias". Dela se ocupam os dois comentadores do programa, confrontados, entretanto, com as continuadas maratonas informativas sobre o novo coronavírus. A pergunta central desse dossier é aquela que trata de saber como é que, no actual quadro de dramatismo, poderemos não dramatizar.

A professora Rita Figueiras comenta, ainda, nesta edição do magazine A Espantosa Realidade das Coisas, a presença desigual de homens e mulheres no comentário televisivo e nas colunas de opinião dos jornais. E aborda as conclusões de um relatório que acaba de ser divulgado nos Estados Unidos sobre a relação entre a polarização política e o consumo dos media. Um dado relevante: a desconfiança dos republicanos em relação aos media de referência não pára de aumentar.

O sociólogo Paulo Pedroso comenta o alerta feito há dias em Lisboa pelo director-geral do Emprego da União Europeia sobre um dos efeitos mais preocupantes do rápido envelhecimento da população portuguesa: se a tendência continuar, Portugal "vai perder 40% da população activa".

O magazine incluiu ainda uma reportagem de Teresa Dias Mendes sobre o projecto (A)LINHAS que promove a costura criativa, visando encontrar a magia nos trapos. A repórter acompanhou em Pinhal Novo uma sessão deste projecto que vai, de escola em escola. Alunos e professores rasgam pano para uma ideia: dar nova vida à roupa velha.

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