A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

Por que não estamos suficientemente motivados para a cibersegurança?

A posição portuguesa no índice de literacia e educação em cibersegurança é no meio da tabela. Portugal ocupa o 25º lugar entre 50 países ou regiões passados pelo crivo da consultora Oliver Wyman.

As conclusões do relatório divulgado, há dias, pela agência Lusa deixam-nos bem na fotografia quando se trate de factores como o da inclusão da população ou o das políticas governamentais. Já no que respeita à motivação pública e à realidade da cibersegurança no mercado de trabalho, estamos conversados.

O editor do magazine dos domingos confrontou os comentadores residentes Paulo Pedroso (sociólogo, professor do ISCTE) e Rita Figueiras (professora de Ciências da Comunicação e de Comunicação Política da Universidade Católica de Lisboa) com uma das conclusões do estudo: Os portugueses "têm, ainda, pouca consciência dos riscos cibernéticos e são pouco proactivos na sua redução".

"O que os estudos têm revelado", observa Rita Figueiras, "é que há uma relação ambígua com a questão da cibersegurança, expressa no chamado paradoxo da privacidade. Ao mesmo tempo que manifestam muita preocupação e cautela, ao nível do discurso, muitas pessoas revelam uma prática que nega muitas vezes aquilo dizem. Afirmam uma enorme preocupação com o assunto mas, depois, revelam uma inexplicável negligência". A comentadora residente do magazine dos domingos sublinha que "entra muitas em jogo a vantagem que cada qual pode retirar quando utiliza este meio, fazendo, por exemplo, o download de um programa para evitar pagamentos. Isso leva a que considerem um bom negócio a permissão de que os seus dados sejam consultados e retirados para outros fins, apenas porque assim evitam uma transacção económica imediata".

Será este outro modo de entregar o ouro ao bandido, sem dar por isso? Paulo Pedroso concorda, com uma anotação prévia: "Nós não temos a noção de quem é o bandido, o bandido não tem um rosto". Para o professor do ISCTE, "como estamos ainda numa fase muito incipiente da nossa literacia no ciberespaço, não ganhámos ainda as necessárias protecções. Não atingimos o lado positivo do medo. Porque o medo vem com a memória de experiências dolorosas, de situações em que no passado as coisas correram mal. Neste domínio, ainda não temos essa experiência".

Entretanto, o relatório sugere que os empregadores portugueses não estarão a fazer o que é necessário. Os dados recolhidos dizem-nos que a sensibilização no mercado de trabalho nos coloca em 34º lugar, na referida tabela de 50. A que é se deve tão fraco resultado?

"Por muito que custe repeti-lo", acredita Paulo Pedroso, "deve-se à insuficiente estruturação das empresas portuguesas. Poderia dizer que temos empresas incompletas, nas quais um conjunto de funções de suporte, que podem ter custos, são reduzidas ao mínimo. Acresce que Portugal se encontra entre os países em que há muito emprego em micro, pequenas e médias empresas. Ora quanto mais pequena é a empresa mais difícil se torna planear a sua cibersegurança e hoje ainda não há cultura que conduza à utilização de serviços de segurança externos".

Os comentadores residentes do magazine dos domingos abordam também os cinco anos da instalação em Portugal do novo modelo de consumo televisivo oferecido pela Netflix e o modo como as novas ofertas mudaram a nossa relação com o ecrã caseiro.

E não perderam de vista o significado de um momento nunca ocorrido, aquele em que grandes televisões dos Estados Unidos interromperam a transmissão de declarações do ainda presidente Donald Trump quando este denunciava, sem provas, o que considera fraude eleitoral.

E a passagem dos 45 anos do célebre debate televisivo entre Mário Soares e Álvaro Cunhal foi analisada, agora que a editora Tinta da China acaba de publicar um livro com a transcrição e o enquadramento desse longo confronto de ideias, já considerado "o pai dos debates" da democracia portuguesa.

Poucos anos antes desse debate, Manuel Brandão, um jovem minhoto chegado a Lisboa, dava os primeiros passos naquele que seria o ofício de uma vida. O pequeno restaurante familiar A Courense tornou-se, também, um lugar muito procurado por entrevistadores e entrevistados da nossa cena mediática. A mesa não deve ser um lugar de conversa mole ou de silêncios mastigados e também por isso apetece dizer fartos impropérios se a pandemia provocar, em lugares como este, uma "quebra de audiências".

A repórter Teresa Dias Mendes não pediu respostas por take away. E foi, de máscara e microfone à porta da cozinha, em dia de feijoada.

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