A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

São os Estados Unidos, entre os países ricos, o menos preparado para combater o vírus?

O magazine deste domingo foi gravado a meio da semana, quinze dias depois de termos visto Donald Trump distribuindo apertos de mão entre os convidados de uma cerimónia durante a qual pediu aos americanos que seguissem as regras básicas de higiene. Nessa cerimónia, Bruce Greenstein, do grupo LHC, recusou o cumprimento com as mãos, oferecendo ao presidente o cotovelo para um "toque" circunstancial.

Já depois de gravado o programa, os Estados Unidos atingiram a fasquia dos 100 mil infectados.

Nesta emissão, a professora de Comunicação Política e Ciências da Comunicação da Universidade Católica de Lisboa, Rita Figueiras, sublinha o facto de nos Estados Unidos, tal como no Brasil, se verificar uma forte "politização do vírus". "Este vírus está a ser utilizado numa estratégia de afirmação de Donald Trump no mundo, reafirmando a capacidade de resistência da América. Donald Trump é um político que se habituou a pensar que a narrativa constrói o mundo", sublinha a comentadora residente do magazine dos domingos.

Por estes dias, Max Boot escreveu no Washington Post que Trump se revela incapaz de gerir uma crise que não tenha sido fabricada por ele (como, por exemplo a guerra comercial com a China ou a barragem do movimento migratório na fronteira mexicana). O sociólogo e professor do ISCTE, Paulo Pedroso, está de acordo. Lembra, entretanto, que não só Trump que está a politizar o vírus. "Toda a gente está a politizar, cada um no seu quadro mental. Há os que politizam de um modo com o qual estamos mais de acordo (por exemplo, aqueles que adoptam decisões baseadas na evidência científica, procurando usar o princípio da precaução), há que o fazem com um misto de populismo e aqueles que, como Trump fez na primeira fase colocam isto nas suas várias teorias da conspiração, A característica do Trump que é terrivelmente engraçada e perigosa para o mundo é que ele muda de discurso como quem muda de camisa".

Mas, observa Paulo Pedroso, "os Estados Unidos são, de entre os países ricos, aquele que hoje, quer do ponto de vista da gestão do sistema político, quer da gestão dos seus próprios sistemas económico e de saúde, aquele que provavelmente está menos preparado para combater este vírus".

O programa aborda ainda o episódio da desejada posse exclusiva, pelos Estados Unidos, de uma vacina que está a ser desenvolvida por um laboratório alemão e o alerta de Robert Reich, no Guardian, para o facto de os Estados Unidos não terem um verdadeiro sistema de saúde pública. A tese de Robert Reich é a de que "o sistema de saúde norte-americano falharia mesmo com um presidente competente".

E demora-se na tese, defendida pelo economista Omar Hassan, no Independent de que "o coronavírus vai levar à falência mais pessoas do que aquelas que matará".

O magazine "A espantosa realidade das coisas" suspende, entretanto, as suas edições até que regressem os dias de alguma normalidade. Proteja-se.

Fique em casa, com a sua rádio.

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