A Rede Social

As conversas de olhos nos olhos alargam e enriquecem a nossa rede social. A Rede Social, a entrevista de Fernando Alves.
Às terças-feiras, depois das 19h00.

Agostinho Pereira Miranda, advogado: Flor de Benguela e outros fados

Quando a minha adolescência correu na margem de um rio seco e na orla de uma praia com casuarinas, os nossos heróis, lá na cidade dos poetas e das acácias, eram figuras formidáveis que podíamos encontrar pedalando as suas bicicletas ou descascando camarão, na esplanada do Tan-Tan. Um desses nossos heróis de há 50 anos é o convidado da Rede Social de hoje. Nesses dias longínquos, ele era a voz dos Rythm Boys, um grupo musical que lançava em êxtase as miúdas de Benguela. Isso explicava que a nossa admiração abarcasse uma dose considerável de inveja desse galã de palco que abraçava com a voz as nossas mais cobiçadas garinas. Reencontrei, muitos anos volvidos, esse meu herói, o muito respeitado advogado Agostinho Pereira de Miranda, fundador e presidente do conselho de administração da Miranda e Associados. O pretexto próximo para esta conversa vem de um disco intitulado "Fado de Lei". O fadista ( e autor de grande parte das letras dos fados deste disco) é Agostinho Miranda.

O jornalista Fernando Alves, editor da Rede Social, começa por perguntar a Agostinho Miranda se chamou a este disco "Fado de Lei" para lhe conferir uma qualquer legitimidade supletiva.

"O disco", responde Agostinho Miranda, "resultou do facto de eu agora, semi-reformado, ter mais tempo. Chamei-lhe 'Fado de Lei', partindo da expressão 'ouro de lei', tão conhecida, e pela circunstância de eu cantar um fado tradicional ou, como alguns preferem, fado puro, fado antigo. Mas este é um fado antigo sem passadismos. Desse fado negativo não gosto. Gosto de fado que fala do nosso presente e das nossas vidas e da esperança".

Mas quando é que o fado entrou, de modo vadio, na vida de Agostinho Miranda, ganhando terreno à música ié-ié? "Na verdade, a primeira vez que cantei fado - e não foi uma experiência empolgante - foi na Tricana, em Benguela. Os benguelenses gostavam de fado tal como, ainda hoje, os angolanos, na sua maioria, gostam. Não há ano em que não haja um festival de fado em Luanda. Tenho, aliás, uma história fantástica sobre a primeira vez que ouvi cantar fado depois da independência. Lembro-me de ter ido à Úcua cantar numa fazenda. Também cantei no Forcado, em Luanda. Mas em Benguela era a música ié-ié, a música francesa, italiana, anglo-saxónica, era isso que dominava o meu tempo. Depois reencontrei o fado em Lisboa mas não foi, como se diz agora em Angola, 'exitosa' essa experiência.". Mas foi o fado que lhe deu , ainda muito novo, o troféu de Rei da Rádio, em Benguela? " Não. O que me deu esse troféu foi uma canção chamada 'Poema a Maria', com um poema meu muito ingénuo mas que não enjeito.". A conversa prossegue pelas noites mágicas do Hotel Mombaka, em Benguela, onde Agostinho cantou. E perde-se nas ruas da cidade das ruas planas que iam dar à praia Morena.

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