A Rede Social

As conversas de olhos nos olhos alargam e enriquecem a nossa rede social. A Rede Social, a entrevista de Fernando Alves.
Às terças-feiras, depois das 19h00.

A Rede Social

Tânia Casimiro, arqueóloga e investigadora do Instituto de História Contemporânea e Instituto de Arqueologia

Tânia Casimiro, arqueóloga: "A vida a bordo na carreira da Índia era o inferno na Terra"

A convidada da Rede Social é, esta semana, a arqueóloga Tânia Casimiro, especialista em cultura material, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, com importante trabalho desenvolvido nas áreas da arqueologia europeia medieval e pós-medieval e das relações atlânticas. Tânia Casimiro participou, há quatro anos, no projecto de recuperação de uma nau portuguesa descoberta em Omã e que, muito provavelmente, será a nau Esmeralda, da armada de Vasco da Gama. A Esmeralda naufragou em 1503 nas águas de Omã mas, não obstante ter sido recuperado um conjunto de quase três mil artefactos do seu interior (incluindo uma esfera armilar e um emblema pessoal de D. Manuel I), não há certeza definitiva de que se trate da nau agora encontrada. Tânia Casimiro ressalva que não é especialista em arqueologia subaquática, apenas estuda o que as naus transportavam: "Estudo aquilo que as pessoas usavam, no dia a dia, a bordo das naus. No que se refere à nau Esmeralda, sabia-se onde é que ela tinha naufragado, era quase difícil não dar com ela. Havia toda uma história, todo um enredo. Claro que a indicação de que esta pode ser a nau Esmeralda tem uma forte carga mediática, mas não necessariamente científica. A cultura material a bordo indica que era uma nau portuguesa das carreiras da Índia. Na zona poderá haver uma outra nau, naufragada cerca de 30 anos depois. O que se passa ali é que os naufrágios ocorrem numa zona próxima de um ancoradouro onde os barcos paravam para fazer aguadas ou manobras similares. Neste caso, há um grande conjunto de cultura material portuguesa, claramente datada entre os finais do século XV e os inícios do século XVI. Os portugueses não chegam ao Índico antes de 1498. É impossível que aquela cultura material ali tenha chegado antes dessa data. Entretanto, há outros elementos de cultura material, como porcelanas, a bordo, (entenda-se na zona do naufrágio, porque já não existe "bordo") que remetem para uma cronologia que vai até 1510. Se nos cingirmos a este intervalo, tudo indica que se trate da nau Esmeralda. O meu convencimento é de que sim, trata-se da Esmeralda. Mas, desse ponto de vista, para mim, trata-se de um caso encerrado." Tânia Casimiro conta como se viu envolvida neste projecto, desde o convite de David Mearns, o líder da operação nas águas de Omã, alertado para a sua especialização em cerâmica portuguesa. As boas relações de Tânia Casimiro com arqueólogos ingleses facilitaram o contacto. Há quatro anos, pôde confrontar-se, em Omã, com 1200 peças. "A cerâmica, devido às suas características, é o que mais resiste, é o que fica. Pode fragmentar-se, pode partir, mas sobrevive. A primeira coisa que reconheci foi a cerâmica portuguesa. Corresponderia a 30 ou 35% do que encontrámos. Aquele era um contexto em que os portugueses tinham estado. Mas, claro, através da cerâmica, encontrámos evidências de todos os lugares onde a nau passou. Havia cerâmica africana, havia cerâmica indiana e havia a porcelana, claro. Era a grande novidade. Era o que os portugueses mais desejavam trazer devido ao preço a que se vendia."

Carlos Neto de Carvalho, um geólogo na pista dos neandertais

Carlos Neto de Carvalho, um geólogo na pista dos neandertais

Em meados de Dezembro, o jornal El Pais escrevia que, há 30 mil anos, quando a Europa era assolada por vagas de frio e a neve cobria o rio Ebro, os hominídeos procuraram um refúgio que lhes garantisse abrigo e possibilidades de sobrevivência. Os neandertais encontraram-no no que é hoje o sul de Espanha e de Portugal. O jornal espanhol escreve em título que os últimos neandertais "veranearam no sul da Península Ibérica". A expressão é usada com humor por Joaquin Rodriguez Vidal, professor catedrático de geodinâmica e paleontologia da Universidade de Huelva. Ele integra um grupo que investiga as pegadas dos últimos neandertais no sul da península. Desse grupo faz, também parte, o geólogo Carlos Neto de Carvalho, convidado de Fernando Alves na Rede Social desta semana.

Agostinho Pereira Miranda, advogado: Flor de Benguela e outros fados

Agostinho Pereira Miranda, advogado: Flor de Benguela e outros fados

Quando a minha adolescência correu na margem de um rio seco e na orla de uma praia com casuarinas, os nossos heróis, lá na cidade dos poetas e das acácias, eram figuras formidáveis que podíamos encontrar pedalando as suas bicicletas ou descascando camarão, na esplanada do Tan-Tan. Um desses nossos heróis de há 50 anos é o convidado da Rede Social de hoje. Nesses dias longínquos, ele era a voz dos Rythm Boys, um grupo musical que lançava em êxtase as miúdas de Benguela. Isso explicava que a nossa admiração abarcasse uma dose considerável de inveja desse galã de palco que abraçava com a voz as nossas mais cobiçadas garinas. Reencontrei, muitos anos volvidos, esse meu herói, o muito respeitado advogado Agostinho Pereira de Miranda, fundador e presidente do conselho de administração da Miranda e Associados. O pretexto próximo para esta conversa vem de um disco intitulado "Fado de Lei". O fadista ( e autor de grande parte das letras dos fados deste disco) é Agostinho Miranda.

Ana Isabel Correia, doutorada em Ciências da Educação, investigadora e convidada do programa “Rede Social”

Ana Isabel Correia, autora do livro "Gestão de Emoções, para professores e educadores": "Há demasiados professores em depressão por não poderem gerir os processos emocionais associados à prática docente"

A professora do ensino básico Ana Isabel Correia, convidada do programa Rede Social , esta semana, fez o doutoramento em Ciências da Educação com uma tese sobre Formação de Professores em Competências Emocionais. Ana Isabel Correia é, há mais de uma década, formadora em áreas como a Educação, Desenvolvimento e Relações Humanas. É também investigadora da Paideia, a plataforma aberta "Associação Internacional para o Desenvolvimento da Educação Emocional". A educação emocional é, aliás, um campo de investigação privilegiado da autora do livro "Gestão de Emoções - para Professores e Educadores", agora editado na Livros Horizonte.

Pierre Pratt, ilustrador

Pierre Pratt, canadiano, ilustrador: "Quis conhecer Lisboa por causa de Cidade Branca, o filme de Tanner. Gostei tanto que fiquei"

O convidado da "Rede Social" de hoje é Pierre Pratt, um canadiano que nasceu, há 57 anos, em Montreal. Pierre Pratt, que vive há uma década em Lisboa, estudou desenho gráfico no Canadá onde, nos anos 80, começou por se dedicar à banda desenhada. Entretanto, deixou-se conquistar pela ilustração, tendo já assinado mais de uma centena de álbuns ilustrados para crianças.