A Rede Social

As conversas de olhos nos olhos alargam e enriquecem a nossa rede social. A Rede Social, a entrevista de Fernando Alves.
Às terças-feiras, depois das 19h00.

A Rede Social

A maratonista e o karateca

A maratonista e o karateca

Junho já se vestia de Verão, o repórter Fernando Alves instalou o gravador numa das mesas à sombra da Carvalha, junto à Ribeira da Isna. A conversa com Ana Sofia Marçal, coordenadora da Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes, organizadora da Maratona de Leitura da Sertã, corria o seu curso, na tarde de intenso calor, quando chegou, pedalando a sua bicicleta, o poeta Miguel Manso que vive a poucos quilómetros, na aldeia de Vale do Pereiro. A esplanada ainda fechada.

Conversa na margem de dois rios

Conversa na margem de dois rios

Conheci António Matias Coelho há muitos anos, talvez em Constância, talvez na Chamusca, talvez num antigo aconchego de avieiros. Onde quer que tenha sido, o grande rio desaguou na conversa da rádio. Porque todas as conversas com o professor de História e escritor António Dias Coelho nos puxam para as margens do Tejo. Desta vez, marquei encontro com o ribatejano de Salvaterra à entrada do jardim-horto de Camões em Constância, a dois passos da estátua do poeta esculpida por mestre Lagoa Henriques. O presidente da Casa Memória de Camões puxou-me para uma sombra, na tarde quente, lá onde dois rios se encontram, na antiga Punhete.

Inês Cardoso Pereira

Inês Cardoso Pereira, bioquímica. Ela estudou a proteína capaz de reduzir o CO2 na atmosfera

A convidada da Rede Social de hoje é Inês Cardoso Pereira, investigadora do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova de Lisboa. Inês Cardoso Pereira liderou grupo que estudou uma proteína capaz de reduzir o dióxido de carbono na atmosfera. O jornalista Fernando Alves quis saber onde é que a equipa de investigadores foi procurar e como é que descobriu esta proteína.

António Manuel Venda, escritor: O santo que fugia do altar e "um dia asselhou" e outras histórias

António Manuel Venda, 52 anos, escritor, natural de Monchique. Uma dezena de romances, novelas, livros de contos publicados desde 1996. Nesse ano surgiu o surpreendente "Quando o Presidente da República visitou Monchique por Mera Curiosidade". O seu segundo romance, "Os Abençoados Fiéis do Senhor São Romão" (cuja acção decorre em Alferce, em 1911), acaba de ser reeditado na On Y Va. Com a mesma chancela acaba de sair o primeiro livro de poemas deste autor, "O cão atravessa a cidade".

Osvaldo Amado

Osvaldo Amado, enólogo: "Gosto de andar pela vinha a debicar as uvas ainda antes dos pássaros"

No final de 2013, o enólogo Osvaldo Amado regressava de um dia nas vindimas quando sofreu um grave acidente de automóvel. Submetido a delicada cirurgia que o manteve durante muito tempo acamado num hospital, exigiu que lhe levassem, para que os cheirasse e aprovasse, os melhores néctares que a sua equipa ia definindo. A história, contada por amigo comum, impressionou o jornalista Fernando Alves que fez sobre ela uma crónica matinal na rádio.

Tânia Casimiro, arqueóloga e investigadora do Instituto de História Contemporânea e Instituto de Arqueologia

Tânia Casimiro, arqueóloga: "A vida a bordo na carreira da Índia era o inferno na Terra"

A convidada da Rede Social é, esta semana, a arqueóloga Tânia Casimiro, especialista em cultura material, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, com importante trabalho desenvolvido nas áreas da arqueologia europeia medieval e pós-medieval e das relações atlânticas. Tânia Casimiro participou, há quatro anos, no projecto de recuperação de uma nau portuguesa descoberta em Omã e que, muito provavelmente, será a nau Esmeralda, da armada de Vasco da Gama. A Esmeralda naufragou em 1503 nas águas de Omã mas, não obstante ter sido recuperado um conjunto de quase três mil artefactos do seu interior (incluindo uma esfera armilar e um emblema pessoal de D. Manuel I), não há certeza definitiva de que se trate da nau agora encontrada. Tânia Casimiro ressalva que não é especialista em arqueologia subaquática, apenas estuda o que as naus transportavam: "Estudo aquilo que as pessoas usavam, no dia a dia, a bordo das naus. No que se refere à nau Esmeralda, sabia-se onde é que ela tinha naufragado, era quase difícil não dar com ela. Havia toda uma história, todo um enredo. Claro que a indicação de que esta pode ser a nau Esmeralda tem uma forte carga mediática, mas não necessariamente científica. A cultura material a bordo indica que era uma nau portuguesa das carreiras da Índia. Na zona poderá haver uma outra nau, naufragada cerca de 30 anos depois. O que se passa ali é que os naufrágios ocorrem numa zona próxima de um ancoradouro onde os barcos paravam para fazer aguadas ou manobras similares. Neste caso, há um grande conjunto de cultura material portuguesa, claramente datada entre os finais do século XV e os inícios do século XVI. Os portugueses não chegam ao Índico antes de 1498. É impossível que aquela cultura material ali tenha chegado antes dessa data. Entretanto, há outros elementos de cultura material, como porcelanas, a bordo, (entenda-se na zona do naufrágio, porque já não existe "bordo") que remetem para uma cronologia que vai até 1510. Se nos cingirmos a este intervalo, tudo indica que se trate da nau Esmeralda. O meu convencimento é de que sim, trata-se da Esmeralda. Mas, desse ponto de vista, para mim, trata-se de um caso encerrado." Tânia Casimiro conta como se viu envolvida neste projecto, desde o convite de David Mearns, o líder da operação nas águas de Omã, alertado para a sua especialização em cerâmica portuguesa. As boas relações de Tânia Casimiro com arqueólogos ingleses facilitaram o contacto. Há quatro anos, pôde confrontar-se, em Omã, com 1200 peças. "A cerâmica, devido às suas características, é o que mais resiste, é o que fica. Pode fragmentar-se, pode partir, mas sobrevive. A primeira coisa que reconheci foi a cerâmica portuguesa. Corresponderia a 30 ou 35% do que encontrámos. Aquele era um contexto em que os portugueses tinham estado. Mas, claro, através da cerâmica, encontrámos evidências de todos os lugares onde a nau passou. Havia cerâmica africana, havia cerâmica indiana e havia a porcelana, claro. Era a grande novidade. Era o que os portugueses mais desejavam trazer devido ao preço a que se vendia."

Carlos Neto de Carvalho, um geólogo na pista dos neandertais

Carlos Neto de Carvalho, um geólogo na pista dos neandertais

Em meados de Dezembro, o jornal El Pais escrevia que, há 30 mil anos, quando a Europa era assolada por vagas de frio e a neve cobria o rio Ebro, os hominídeos procuraram um refúgio que lhes garantisse abrigo e possibilidades de sobrevivência. Os neandertais encontraram-no no que é hoje o sul de Espanha e de Portugal. O jornal espanhol escreve em título que os últimos neandertais "veranearam no sul da Península Ibérica". A expressão é usada com humor por Joaquin Rodriguez Vidal, professor catedrático de geodinâmica e paleontologia da Universidade de Huelva. Ele integra um grupo que investiga as pegadas dos últimos neandertais no sul da península. Desse grupo faz, também parte, o geólogo Carlos Neto de Carvalho, convidado de Fernando Alves na Rede Social desta semana.