A Rede Social

As conversas de olhos nos olhos alargam e enriquecem a nossa rede social. A Rede Social, a entrevista de Fernando Alves.
Às terças-feiras, depois das 19h00.

Inês Cardoso Pereira, bioquímica. Ela estudou a proteína capaz de reduzir o CO2 na atmosfera

A convidada da Rede Social de hoje é Inês Cardoso Pereira, investigadora do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova de Lisboa. Inês Cardoso Pereira liderou grupo que estudou uma proteína capaz de reduzir o dióxido de carbono na atmosfera. O jornalista Fernando Alves quis saber onde é que a equipa de investigadores foi procurar e como é que descobriu esta proteína.

"Nós trabalhamos com um tipo de micro-organismos que são os chamados micro-organismos anaeróbios. Eles descendem de micro-organismos muito antigos, parecidos com os que existiam no início da Terra e nos nossos estudos ao longo dos anos apercebemo-nos de que eles contêm uma proteína capaz de reduzir o CO2 e percebemos que tinham potencial para se tornarem muito interessantes. Decidimos, por isso, investir nesta área. A nossa motivação é perceber como é que um sistema biológico reduz o CO2".

E o que é que está em causa nesta investigação? A bioquímica Inês Cardoso Pereira acredita que para conseguirmos atingir as metas da neutralidade carbónica, vai ser preciso fazer alguma coisa com o dióxido de carbono que existe na atmosfera. "Há pessoas que estão a estudar modos de o armazenar, de o sequestrar em materiais, etc.., mas parece-me que a estratégia mais interessante é transformar este CO2 em moléculas que podem ser reintroduzidas na economia e que têm valor acrescentado e transformadas noutras moléculas que são interessantes e úteis".

Mas, conclui a investigadora, "há aqui um grande desafio que não é evidente para a maioria das pessoas. É que o CO2 é uma molécula extremamente estável, é a forma mais oxidada de carbono e este carbono está muito feliz com os seus dois oxigénios. Por isso é muito difícil torná-lo reactivo". Assim sendo, observa a investigadora, "é preciso criar uma grande quantidade de energia para que o CO2 reaja e isso passa pelo uso de catalisadores que são moléculas que vão diminuir a quantidade de energia necessária para tornar o CO2 reactivo".

A conversa aborda o tanto que há para fazer na área da investigação química, visando o aperfeiçoamento destes catalisadores. Na maior parte das experiências são usados metais raros que não existem em grande quantidade no planeta e implicam um grande input de energia. Por outro lado, "os sistemas biológicos conseguem, de facto, fazer transformações químicas fascinantes em condições neutras, muito suaves, sem precisarem de elevados níveis de energia, pelo que serão uma grande fonte de ensinamentos para os investigadores desta área".

A investigadora explica que agora é preciso descobrir como é que esta proteína consegue fazer o seu trabalho.

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