A Rede Social

As conversas de olhos nos olhos alargam e enriquecem a nossa rede social. A Rede Social, a entrevista de Fernando Alves.
Às terças-feiras, depois das 19h00.

Mário Lúcio Sousa e a diferença entre "morrer" e "ser morrido"

"A Rede Social" desta terça-feira, por Fernando Alves.

Mário Lúcio Sousa nasceu, há 55 anos, na povoação de Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde. A sua infância correu feliz no quartel associado ao Campo onde, décadas antes, se tinham passado os terríveis factos descritos no romance "O Diabo foi meu Padeiro", agora editado pela Dom Quixote. O seu romance anterior, "Biografia do Língua". Foi distinguido com o prémio literário Miguel Torga e com o prémio do Pen Club para Narrativa.

Mário Lúcio Sousa, o convidado do programa "A Rede Social", de Fernando Alves, fala do novo romance mas também do grupo musical Simentera, de que foi fundador e líder, da passagem pelo governo, como ministro da Cultura.

A conversa começa pelo novo livro, pelo notável fresco sobre os presos políticos do Campo de Concentração do Tarrafal, pela diferença entre morrer e "ser morrido". Sem percebermos essa diferença não poderíamos abarcar a terrível singularidade da expressão "morte lenta" que associamos ao campo da grande desumanidade.

"Ser morrido é outra maneira de dizer 'ser ainda' morrendo já"?, pergunta-lhe o jornalista. Mário Lúcio Sousa responde: " Sim, porque és enviado para o campo para ires morrer, já como um pré-morto. Mas o grande desafio é não te deixares morrer por essa causa pela qual querem que tu morras". A palavra "causa" é importante neste contexto. Aliás, explica o escritor, "quando os presos do Tarrafal começam a aperceber-se de que alguns companheiros morriam de tuberculose, ou de disenteria, um deles lembra que essa não era a causa da morte, mas o modo de morrer. A causa da morte era o pensamento. Eles estavam ali por terem pensado de uma dada maneira. "

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