A Rede Social

As conversas de olhos nos olhos alargam e enriquecem a nossa rede social. A Rede Social, a entrevista de Fernando Alves.
Às terças-feiras, depois das 19h00.

O Galego e o Português são a mesma língua?

Foi este ponto de partida que motivou a conversa do jornalista Fernando Alves com o linguista Marco Neves, professor da Universidade Nova de Lisboa, no programa "A Rede Social".

O linguista Marco Neves, professor da Universidade Nova de Lisboa, tradutor e autor de livros como "Palavras que o português deu ao mundo" ou "A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa", acaba de publicar, na editora galega Através, mais um livro que pergunta, em título: "O galego e o português são a mesma língua?".

Convidado pelo jornalista Fernando Alves para uma conversa de fim de tarde no programa "A Rede Social", o linguista admite que a pergunta se justificaria, também, na boca de um galego, mas observa que " os galegos fazem outras perguntas sobre o mesmo problema, percebem que há aqui uma relação diferente entre a Galiza e Portugal". Essa relação escapa, muitas vezes, aos portugueses. Por isso, explica Marco Neves, "as nossas perguntas são diferentes".

O que aconteceu, nesse caso? Os portugueses esqueceram-se dessa "relação diferente"? O linguista responde: "Eu diria que, ao longo da História de Portugal, nós fomos esquecendo a nossa relação com a Galiza. Aliás, podemos mesmo dizer que a História de Portugal construiu-se em contraste com a Espanha e esquecendo essa relação muito profunda com a Galiza."

E foi isso que o levou a escrever este livro, no qual se percebe um sentido de urgência? "Há dois pontos que me levaram a esta urgência", esclarece Marco Neves. " Antes de mais, tendo em conta os outros livros que escrevi, tenho essa noção muito precisa de que a História da Língua Portuguesa tem de ser contada com a Galiza como ponto muito importante. A nossa língua, a língua que falamos e de que nos orgulhamos, vem do Norte. E quando digo Norte digo o que vem a norte de Portugal. Ou seja, a Galiza e o Minho são os dois territórios onde a nossa língua nasceu. Muito antes de haver Portugal." "A urgência", remata o linguista, "explica-se pelo facto de o galego estar em risco de desaparecer".

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