A Rede Social

As conversas de olhos nos olhos alargam e enriquecem a nossa rede social. A Rede Social, a entrevista de Fernando Alves.
Às terças-feiras, depois das 19h00.

Osvaldo Amado, enólogo: "Gosto de andar pela vinha a debicar as uvas ainda antes dos pássaros"

No final de 2013, o enólogo Osvaldo Amado regressava de um dia nas vindimas quando sofreu um grave acidente de automóvel. Submetido a delicada cirurgia que o manteve durante muito tempo acamado num hospital, exigiu que lhe levassem, para que os cheirasse e aprovasse, os melhores néctares que a sua equipa ia definindo. A história, contada por amigo comum, impressionou o jornalista Fernando Alves que fez sobre ela uma crónica matinal na rádio.

Nessa crónica, o autor dos "Sinais" considerava que "o nariz de um enólogo não é para estar no ambiente assético de um hospital" pois se trata de uma peça preciosa a tal ponto que uma das grandes seguradoras mundiais tinha avaliado, pouco antes, em cinco milhões de euros, um dos mais apurados narizes europeus da especialidade. Sugeriu, desse modo, o cronista que o produtor do Dão para o qual o enólogo não desistia de procurar, mesmo feito num oito, a alma do vinho, criasse uma marca Amado. Teria de ser um vinho forte, sublinhou o cronista, "porque um Amado assim não poderia ser, nunca, um adamado".

Osvaldo Amado é o convidado desta edição da Rede Social, agora que acaba de apresentar um espumante do qual foram feitas apenas 1500 garrafas. Chama-se Raríssimo by Amado e foi produzido com uvas da casta Arinto, tendo fermentado em barricas de segundo uso. Outros Raríssimos estão anunciados para breve. Dão e Bairrada, tintos e brancos. Por aí começa a conversa com um enólogo muitas vezes premiado, cuja infância decorreu no Dondo, Angola, numa família de 9 irmãos, "bairradino por opção" já que a partir da Bairrada foi definindo um caminho profissional que o coloca entre os mais cotados criadores de vinho em Portugal. O grande autor de vinhos da Global Wines tem deixado, também, marcas fortes no Dão e no Douro, fez dezenas de vindimas em muitos lugares do mundo, tendo produzido mais de 600 milhões de garrafas de vinho. Osvaldo Amado conquistou mais 2 mil medalhas de ouro e de prata, em concursos nacionais e internacionais.

Gosta de andar na vinha e de degustar a uva quando ela começa a pintar. Mesmo se passa noites com o estômago a protestar, é nessa degustação que pressente se lá vem um vinho invulgar. "Ainda antes dos pássaros", já ele debica a uva.

Ficou para trás, não completamente adiado, o sonho de ser piloto aviador.

Entretanto, aos domingos, aquele que diz de si mesmo ser um "camponês das bicicletas" pode ser visto a fazer BTT na zona do Buçaco ou noutros lugares aprazíveis do mundo rural português

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