A Rede Social

As conversas de olhos nos olhos alargam e enriquecem a nossa rede social. A Rede Social, a entrevista de Fernando Alves.
Às terças-feiras, depois das 19h00.

Pierre Pratt, canadiano, ilustrador: "Quis conhecer Lisboa por causa de Cidade Branca, o filme de Tanner. Gostei tanto que fiquei"

O convidado da "Rede Social" de hoje é Pierre Pratt, um canadiano que nasceu, há 57 anos, em Montreal. Pierre Pratt, que vive há uma década em Lisboa, estudou desenho gráfico no Canadá onde, nos anos 80, começou por se dedicar à banda desenhada. Entretanto, deixou-se conquistar pela ilustração, tendo já assinado mais de uma centena de álbuns ilustrados para crianças.

O jornalista Fernando Alves começa por lhe perguntar se ainda precisa de tradutor " se alguém lhe disser que nunca se deve confundir género humano com Manuel Germano". Mas esta é uma pergunta de resposta fácil para quem ilustrou "O Homem que Engoliu a Lua", a partir de "Casos do Beco das Sardinheiras", de Mário de Carvalho. Pierre Pratt confessa que se divertiu muito a ilustrar a história. "Eu estava a viver em Lisboa, em 1999. Não era a minha primeira estada, tinha passado por aqui algum tempo antes. Tenho esta coisa com Lisboa", explica o ilustrador. "Nessa altura, eu queria aprender português e, lembro-me muito bem, fui à Ler Devagar, no Bairro Alto, e vi esse livro do Mário de Carvalho. E pensei em começar a aprender, lendo. Vai ser fácil, são contos. Depois percebi que não seria assim tão fácil pois o livro mistura um registo muito literário com uma linguagem muito popular. Depois, uns amigos explicaram-me que tinha começado por um ângulo inesperado e engraçado. Esse projecto de livro foi meu. Pensei: isto corresponde ao tipo de histórias para crianças que eu gosto de contar. E decidi desenvolver um álbum a partir desse conto. Quando fui pela primeira vez à Caminho, disseram-me: 'Mário de Carvalho para crianças, esquece'. Mas o livro já vai na segunda edição. E, sim, diverti-me bastante a fazê-lo". O ilustrador explica que trabalhou no livro em 2001. Vivia, então, na Travessa da Peixeira, na zona de São Bento. E as personagens que coloquei no livro são as pessoas dali".

Ao longo da entrevista, Pierre Pratt conta como chegou à língua portuguesa através da música brasileira e recorda o dia em que chegou a Lisboa: " Pela primeira vez foi em 1988. Eu andava com dois amigos a fazer uma viagem pela Europa e queria ver Lisboa porque tinha visto o filme do Alain Tanner, "A Cidade Branca". Depois li um artigo do Alain Tanner em que ele diz que devia ter um subsídio do Ministério do Turismo porque o filme dele tinha trazido muita gente a Lisboa. Dessa vez, ficámos cinco dias. Mas eu gostei muito. E depois voltei sozinho".

Ilustrou tantos livros, desde que escolheu Lisboa como sua cidade. De escritores como Alice Vieira ou Luisa Costa Gomes. Em Outubro de 2015, apresentou "Lisbon Blues", com poemas de José Luis Tavares, o caboverdiano nascido no Tarrafal. Expôs nas paredes de um bar chamado Pharmacia Musical onde os cocktails têm nomes como "Chet Baker on the Rocks". Acaba de ilustrar um livro de encantar, "Trinta e seis histórias para divertir os filhos de um artista", que vem acompanhado de um cd com pequenas peças musicais compostas por Francisco Lacerda, um maestro português nascido nos Açores, no final do século XIX, que obteve o maior sucesso em Paris, onde conheceu Satie e Ravel.

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