Acontece no Brasil

Todas as quintas-feiras, o correspondente da TSF em São Paulo, João Almeida Moreira, assina a crónica Acontece no Brasil – um país onde a realidade e o insólito andam muitas vezes de mãos dadas.

Bolsonarista agride pesquisador de instituto de sondagens

Rafael Bianchini socou e pontapeou colaborador do Datafolha e ameaçou-o com uma faca. Instituto já regista 10 agressões por todo o Brasil.

O expediente é tão antigo quanto Dário III, o xá da Pérsia que, quatro séculos antes de Cristo, mandou matar o mensageiro que lhe contou que o seu exército havia perdido a guerra para Alexandre, o Grande.

Os jornalistas, por força da sua atividade, têm sido o principal alvo da ira dos que não toleram más notícias. Mas nas eleições de 2022 partilham esse "privilégio" com os pesquisadores dos institutos de sondagem.

No total, já dez colaboradores do Datafolha, o principal desses institutos no Brasil, foram atacados, em São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Maranhão, Goiás, Pará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por apoiantes de Jair Bolsonaro que, quais xás da Pérsia, preferem matar a aceitar que o seu candidato está atrás de Lula da Silva na corrida ao Planalto.

Mas o caso mais grave ocorreu na terça-feira, dia 20, quando em Ariranha, interior do estado de São Paulo, Rafael Bianchini começou a chamar um pesquisador de "vagabundo". Bianchini acusou o Datafolha de só ouvir lulistas e ofereceu-se para participar no inquérito - o inquiridor rejeitou porque, manda o protocolo da empresa, não se deve ouvir quem pede para ser ouvido para a amostra ser aleatória.

Na sequência, Bianchini agrediu ao soco e pontapé o pesquisador. Quando este reagiu, o filho de Bianchini surgiu em auxílio do pai e as agressões agravaram-se. Contido pelos vizinhos, o agressor foi para casa mas voltou, desta vez com uma peixeira, faca grande e pontiaguda para cortar peixe, mas foi convencido pelo filho a não usar a arma.

O pesquisador apresentou queixa, Bianchini, um pescador nas horas vagas, foi identificado. O caso, segundo o delegado que o investiga, está em sigilo.

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