Acontece no Brasil

Todas as quintas-feiras, o correspondente da TSF em São Paulo, João Almeida Moreira, assina a crónica Acontece no Brasil – um país onde a realidade e o insólito andam muitas vezes de mãos dadas.

Carioca dribla sistema e é vacinado cinco vezes

Cidadão de 48 anos foi apanhado quando tentava ser imunizado pela sexta vez. Segundo as autoridades, aproveitou-se de falhas no sistema.

No país onde o Presidente avisou que as vacinas podem fazer nascer pelos nas mulheres, afinar a voz dos homens e, em última análise, transformar toda a gente em jacarés, é natural que a parte, cada vez menor, da população que ainda o apoia resista a ser imunizada.

A maioria dos brasileiros, no entanto, apesar dos boicotes e sabotagens do governo federal, quer ser vacinada. Quer muito ser vacinada. Quer mesmo muito ser vacinada.

Mas há quem exagere.

Um cidadão de 48 anos do Rio de Janeiro, cujo nome não foi divulgado, vacinou-se cinco vezes. Só foi descoberto e alvo de interrogatório da polícia quando se preparava para a sexta picada da agulha.

Segundo a prefeitura carioca, o hipervacinado aproveitou-se de quedas no sistema para ir enganando os enfermeiros. De 12 de maio até ao início da semana passada foi imunizado três vezes em postos de Copacabana e duas na região de Chapéu-Mangueira. A última, a tal descoberta a tempo, ocorreria em Santa Cruz, a 50 km do centro do Rio.

Na sopa de vacinas constaram duas aplicações da Pfizer, mais duas da Coronavac, parceria do laboratório chinês Sinovac e do laboratório brasileiro Butantan, e uma da AstraZeneca, nem sempre pela ordem certa. Não se sabe qual seria o último ingrediente, o tal que ele não chegou a tomar.

As autoridades relataram o caso ao Ministério Público e informaram que detetaram mais 16 casos de sobredosagem no município.

A Organização Mundial de Saúde e a comunidade científica brasileira recomendam duas doses, eventualmente três, dependendo da vacina e de estudos paralelos à evolução da doença. Tomar demais é, seguramente, prejudicial. Não ao ponto de transformar uma pessoa em jacaré mas, ainda assim, prejudicial.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de