Acontece no Brasil

Todas as quintas-feiras, o correspondente da TSF em São Paulo, João Almeida Moreira, assina a crónica Acontece no Brasil – um país onde a realidade e o insólito andam muitas vezes de mãos dadas.

Choveu dinheiro em Belo Horizonte

Tranquilidade em praça no centro da cidade interrompida por homem misterioso que atirou notas para o ar. Uma semana depois, assumiu a identidade.

Muitos vendedores ambulantes e comerciantes de ouro. Cafés e pastéis consumidos às pressas. Os supermercados e as lojas de roupa, cada uma com as suas sonoras autopromoções anunciadas por altifalantes, a abrir portas. E muita gente a entrar e a sair dos ônibus, a caminho dos empregos.

A manhã na Praça Sete, centro de Belo Horizonte, corria tranquila, ou seja, irrequieta e barulhenta, naquele dia 27 de janeiro, quando, de repente, ficou ainda mais irrequieta e barulhenta.

"Está a chover dinheiro", alertou um vendedor. Num instante, toda a gente parou e começou a recolher notas de 100, 50, 20, 10 reais do ar e do chão. Inclusivamente, um rapaz que passava e filmou a cena, tornada viral nas redes sociais e nos jornais.

No canto dela, da cena, dá para ver desaparecer, apressado, um homem vestido de preto - foi ele o responsável pela chuva, foi ele quem atirou ao vento uma porção considerável de dinheiro.

"Fiquei assustado com a movimentação mas tive tempo de pegar o celular e filmar - ah, e de apanhar 70 reais no bolso", disse Vinícius de Souza, o cameraman improvisado, ao site G1. Mas não teve tempo de focar no homem mistério, que, só mais de uma semana depois se apresentou e explicou a sua motivação.

Ben Mendes, jornalista, é autor do projeto Ronda do Consumidor, fundado por ele em 2019 para ajudar quem se sente lesado após uma compra, uma espécie de equivalente à portuguesa Deco, mas de iniciativa individual.

Para Mendes, que assumiu a sua identidade em edição do Ronda do Consumidor, o objetivo foi sensibilizar os cidadãos. "Se gostam tanto de dinheiro, porque se permitem ser enganados por vendedores inescrupulosos?", pergunta-se.

Chamar a atenção, Ben Mendes chamou. Mas ele ainda faz contas para saber se a iniciativa publicitária foi ou não financeiramente compensadora.

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