Acontece no Brasil

Todas as quintas-feiras, o correspondente da TSF em São Paulo, João Almeida Moreira, assina a crónica Acontece no Brasil – um país onde a realidade e o insólito andam muitas vezes de mãos dadas.

Delegado youtuber acusado de desvio de dinheiro

O polícia Da Cunha filma as próprias operações, simulando sequestros e resgates, usando homens, armas, carros e até aeronaves para animar um público de quase 4 milhões.

Carlos Alberto da Cunha é delegado de polícia e, também, youtuber. Ou então, é youtuber e, também, delegado de polícia. A fronteira, ténue demais, entre uma e outra ocupação pode levá-lo à mesma prisão para onde levou supostos criminosos nos vídeos em que se autopromove.

Da Cunha, como é conhecido o agente de 43 anos, foi indiciado pela corregedoria da polícia por peculato, ou seja, uso de dinheiro público em benefício próprio, crime punível com dois a doze anos de prisão e multa.

Em causa está o uso de outros agentes, de armas da polícia, de viaturas oficiais do Estado e até de um helicóptero para abrilhantar o "Delegado Da Cunha", canal do YouTube com perto de quatro milhões de fãs - e, por isso, lucrativo: empresários confessaram à polícia patrocinar o canal e efetuar pagamentos por via da mulher e de um cunhado de Da Cunha, o que caracteriza agora o crime de lavagem de dinheiro.

No canal, surgiam operações, como sequestros e resgates, ao vivo, para delírio do público.

Sucede que esses sequestros e resgates eram fabricados: depois de detidos os criminosos e salvas as vítimas, Da Cunha mandava-as de volta para o local de crime e filmava a cena, com a ajuda de um cineasta profissional, como se fosse original.

Esse cineasta, James Salinas, contou ao portal UOL como filmou em três etapas a detenção de Jagunço, considerado um dos chefes da maior organização criminosa da América do Sul, o PCC.

Da Cunha, entretanto, nega tudo e, escudado na sua popularidade, diz que vai concorrer às eleições gerais de 2022, não se sabe ainda para que cargo. Mas a intenção, afirma, é derrotar o atual governador de São Paulo e pré-candidato à presidência João Doria, que acusa de perseguição.

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