Acontece no Brasil

Todas as quintas-feiras, o correspondente da TSF em São Paulo, João Almeida Moreira, assina a crónica Acontece no Brasil – um país onde a realidade e o insólito andam muitas vezes de mãos dadas.

Hello Kitty foi morta pela polícia

Conhecida no mundo do crime pelo nome da personagem infantil, Rayane Cardoso era, aos 20 anos, uma das criminosas mais procuradas e perigosas da região do Rio de Janeiro

A comunidade do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, acordou assustada. Desde as 6 da manhã um tiroteio persistente abalou a já habitualmente agitada região nos arredores do Rio de Janeiro. Quem perguntasse o que se passava desta vez, entretanto, ouvia sempre a mesma resposta: deve ser a polícia contra a Hello Kitty.

Hello Kitty, que acabaria por morrer no confronto, era uma das criminosas mais procuradas e perigosas da região, segundo as autoridades. Apesar dos 20 anos, acusavam-na de roubos, homicídios e de liderar um esquema de tráfico de droga ligado ao Comando Vermelho, uma das maiores e mais sofisticadas organizações criminosas do Brasil e da América Latina.

Nascida numa região violenta, desde os 15 anos que Hello Kitty, assim chamada pela aparência infantil, se fotografava nas redes sociais com armas de alto calibre. Aos 18, já tinha um cadastro pesado. Nos últimos tempos, tornou-se ainda braço direito de Alessandro Moura, conhecido como Vinte Anos, um temido traficante, e ficou definitivamente na mira da polícia.

Num intervalo da sua vida, ainda entrou numa igreja evangélica, onde cantava músicas religiosas. Por essa altura, Hello Kitty, mãe desde os 16, dizia ter trocado a arma pela Bíblia e até passou a usar saias compridas e não os calções curtos que deixavam visível uma tatuagem de gueixa, sua imagem de marca, nas redes sociais.

Mas voltou ao crime, no bairro Nova Grécia, como gerente de tráfico de Vinte Anos. E a polícia passou a pagar 1000 reais por informações do seu paradeiro. Depois de encontrá-la, matou-a numa operação sangrenta, tão contraditória com a sua aparência e a sua alcunha.

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