Acontece no Brasil

Todas as quintas-feiras, o correspondente da TSF em São Paulo, João Almeida Moreira, assina a crónica Acontece no Brasil – um país onde a realidade e o insólito andam muitas vezes de mãos dadas.

O falso médico, falso pastor e falso namorado

Gerson Lavísio exercia medicina, sem ser clínico, pedia o dízimo, sem ser religioso, e prometia casar e constituir família a duas namoradas em paralelo.

No início de março, uma equipa médica foi chamada para socorrer diversos camionistas vítimas de acidente de viação perto de Lavrinhas, no interior de São Paulo. O dr. Gerson Lavísio, o médico chefe, surpreendeu os subordinados ao se decidir, sem mais nem menos, pela amputação da perna de um dos camionistas.

Não foi a primeira vez que o dr. Lavísio, 32 anos, espantou a equipa sob sua coordenação: já aplicara um calmante na veia de um lesionado na coluna, quando o protocolo aconselhava a ministrar pílula oral ou analgésico, e suturara um paciente com os pontos aos ziguezagues, próprio de alguém sem experiência.

Chamada a polícia rodoviária, constatou-se que o dr. Lavísio jamais foi doutor: tinha apenas curso de socorrista. No entanto, conseguiu ser contratado, como médico, por três entidades diferentes, driblando a fiscalização graças ao uso de identificações de médicos homónimos ou de clínicos já falecidos.

Uma investigação mais profunda ao falso médico concluiu ainda que ele era também falso pastor evangélico - participava em cultos, citava a Bíblia, dava conselhos espirituais e, claro, pedia, e recebia, contribuições em dinheiro de fiéis. Chegou a juntar 16 mil reais para efetuar uma viagem missionária que jamais existiu.

Na vida pessoal, Gerson Lavísio é romântico: prometeu a Regiane, que conheceu na internet, casar e constituir família. Mas prometeu, em paralelo, o mesmo a outra namorada, que enviou as provas, trocas de mensagens, a Regiane.

Regiane disse ao programa Fantástico da TV Globo que quer contribuir para a detenção do falso médico, do falso pastor e do falso namorado, porque, diz, ele é um "psicopata e um risco para a sociedade".

Lavísio continua à solta.

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