Acontece no Brasil

Todas as quintas-feiras, o correspondente da TSF em São Paulo, João Almeida Moreira, assina a crónica Acontece no Brasil – um país onde a realidade e o insólito andam muitas vezes de mãos dadas.

Polícia por fora, evangélico por dentro

A "Patrulha da Paz", grupo de 40 voluntários armados que circula pelas ruas de um subúrbio carente de Brasília, diz que tem um só comandante: Deus.

O que é um pelotão de homens, vestidos com fardas iguais, coletes táticos, calças táticas, coldres táticos, cintos táticos e botas, tudo em tom de azul escuro?

Agentes devidamente armados, que usam viaturas com alertas sonoros, as sirenes, e visuais, o nome "patrulha" bem visível e as luzes intermitentes no tejadilho? E que faz abordagens aparatosas nas ruas?

Como diz o ditado brasileiro, aqui adaptado à situação, se tem cara de polícia, se tem roupa de polícia, se tem arma de polícia, se tem carro de polícia e se tem comportamento de polícia, deve ser polícia. Mas não é.

"Nunca fomos confundidos com polícias", diz Gilmar Bezerra, o chefe da polícia que não é polícia.

Bezerra, 45 anos, é pastor. Fundou não apenas o "Ministério A Promessa de Deus", nome da igreja evangélica neo-pentecostal, como também a "Patrulha da Paz", a tal milícia armada a que chama de "organização missionária" que aborda toxicodependentes e pessoas sem-abrigo nas ruas de Ceilândia, subúrbio miserável da capital federal Brasília.

Bezerra, apesar de comandar um grupo de 40 voluntários, não se define como o comandante, diz ele. "O comandante é Deus."

Diz ainda que, apesar da cara de polícia, da roupa de polícia, da arma de polícia, do carro de polícia e do comportamento de polícia, jamais a "Patrulha da Paz" foi confundida com polícia pelos abordados. Porque começa essas abordagens com um "boa noite".

Alguns dos patrulheiros, garante ainda Bezerra, eram pessoas sem-abrigo entretanto evangelizadas pela patrulha.

A Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, divulgou o site The Intercept Brasil, vai analisar a situação da "milícia da fé".

No entanto, como nunca na história do Brasil as milícias estiveram tão perto do poder, a "Patrulha da Paz" sente-se protegida.

O correspondente da TSF no Brasil, João Almeida Moreira, assina todas as quintas-feiras a crónica Acontece no Brasil

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