Acontece no Brasil

Todas as quintas-feiras, o correspondente da TSF em São Paulo, João Almeida Moreira, assina a crónica Acontece no Brasil – um país onde a realidade e o insólito andam muitas vezes de mãos dadas.

Rua entre Brasil e Paraguai é recordista em homicídios

Em 24 horas, um vereador do lado brasileiro foi executado. Do lado paraguaio, mataram a filha do governador, o namorado e duas amigas. Foram 15 mortes em 15 dias.

De um lado da rua, Brasil. Do outro, Paraguai. De um lado da rua, Ponta Porã, última cidade do estado do Mato Grosso do Sul. Do outro, Pedro Juan Caballero, capital do departamento de Amambay.

O que poderia ser um destino turístico interessante, por dividir dois países, é afinal um dos lugares mais perigosos da América do Sul. O último fim de semana provou-o.

Na sexta-feira, dia 8, Farid Afif, 37 anos, vereador de Ponta Porã, gravou um vídeo ao volante da sua bicicleta a enumerar as vantagens do meio de transporte. Três horas depois, ainda de bicicleta, foi atingido por quatro tiros disparados por um homem numa moto. Afif caiu morto no centro da cidade.

No dia seguinte, Haylee Acevedo, filha do governador de Amambay, o namorado, Bebeto Álvarez e duas colegas brasileiras de Haylee no curso de medicina, Kaline Oliveira e Rhamye Oliveira, foram mortas dentro de um automóvel por cerca de 100 tiros disparados por três homens à saída de uma discoteca em Pedro Juan Caballero. Haylee tinha 21 anos, Bebeto 32 e as amigas 22 e 18, respetivamente.

Nos últimos 15 dias, houve 15 relatos de execuções semelhantes, uma por dia, portanto.

A polícia ainda não encontrou os autores materiais e morais dos crimes mas não tem dúvidas de que o motivo é o mesmo: disputa pelo território por organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas.

Nos últimos tempos, o Primeiro Comando da Capital, conhecido pelas iniciais PCC, maior organização criminosa latino-americana, com sede em São Paulo, montou uma base de 174 homens na fronteira, o que fez disparar a criminalidade na região.

No caso da morte das quatro pessoas do lado paraguaio, os serviços de inteligência já revelaram que Bebeto Álvarez seria o alvo do atentado por ter denunciado Bebezão e Koringa, chefes do PCC, à polícia.

No caso do vereador, as investigações estão mais atrasadas.

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