Botequim

Botequim é um programa feito por mulheres, sobre mulheres. Aborda vários assuntos sob a perspetiva delas. É um espaço de diálogo e de escuta, para discutir desafios relacionados com a igualdade de género, através de entrevistas, conversas e histórias de mulheres que marcam a diferença. Cada programa vai abordar assuntos relacionados com política, educação, ciência, direitos humanos e o papel da mulher em cada um deles. Com Sara de Melo Rocha e Miguel Silva (sonoplastia).
Para ouvir na TSF à sexta-feira, depois as 23h, com repetição ao sábado depois das 10h. Versão alargada disponível em TSF.pt e em podcast.

Há muitas mulheres no mundo das artes, mas porque continuam quase invisíveis?

Três mulheres do setor das artes defendem que é preciso recuperar o trabalho das artistas em Portugal, que pode estar a ganhar pó em depósitos. Elas garantem que o mundo da arte ainda é muito desigual em termos de género, com artistas mulheres a serem afastadas de galerias e a receberem menos pelas obras produzidas.

Por mais livre e tolerante que seja o mundo das artes plásticas e visuais, o setor está ligado e dependente do funcionamento do resto da sociedade.

A desigualdade de género é, por isso, uma realidade no mundo da arte, tal como no resto da comunidade.

Esta divisão está presente desde a produção de uma obra até à sua autoria, exposição, comercialização, passando pelas leituras e interpretações de que é alvo.

Em Serralves, a coleção da fundação conta com 814 artistas homens e 239 mulheres. Na coleção do Museu Berardo, por altura da inauguração, havia 65 artistas mulheres de um total de 862 obras. Os dados compilados pelo jornal Público mostram que a Coleção Moderna da Gulbenkian tem 268 mulheres artistas e cerca de mil do sexo masculino. A Fundação EDP conta com cerca de 300 artistas, incluindo 85 mulheres.

Como mostram os números, os desequilíbrios ainda persistem, quer na representação de artistas, quer na representação da mulher nas obras visuais.

A nível mundial menos de 4% dos artistas nas secções de Arte Moderna dos museus são do sexo feminino mas 76% dos nus são mulheres, de acordo com dados reunidos pelas Guerrilla Girls, um grupo de artistas feministas anónimas.

A Ministra da Cultura anunciou em 2019, que o governo prepara um conjunto de medidas para combater a "invisibilidade das mulheres artistas".

Graça Fonseca admite que há uma impressão de que poucas mulheres se dedicam à criação mas a ministra garante que há muitas mulheres artistas e essa "invisibilidade"preocupa o Ministério da Cultura.

Num artigo de opinião que assinou em conjunto com as ministras da Cultura da Alemanha e Croácia, Graça Fonseca que encontrar formas de tornar possível às mulheres artistas prosseguirem a sua vocação sem terem de enfrentar discriminação.

Para discutir o caminho difícil e às vezes invisível que as artistas visuais enfrentam, o Botequim conta com a participação de:

Ana Vidigal, artista visual, com um método de trabalho desenvolvido em torno da pintura, colagem e instalações. Estudou Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa e, ao longo das últimas décadas, tem participado em várias exposições individuais e coletivas. As obras de Ana Vidigal invocam, muitas vezes, a condição social da mulher. A última exposição da artista chama-se "The Girl Who Lost Things" e está em exibição no Centro de Artes de Águeda.

Isabel Baraona, artista visual e docente na ESAD.CR, nas Caldas da Rainha. Estudou escultura, pintura, vidro e desenho, no Ar.Co, fez Bacharelato em Artes Decorativas na ESA, estudou em Bruxelas e fez uma pós-graduação em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Tem a obra exibida publicamente desde 2001, quer a nível individual como coletivo.

Sandra Leandro, doutorada em História da Arte Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa, Professora Auxiliar na Universidade de Évora e coordenou o livro "Artistas Plásticas em Portugal". Nas últimas duas décadas tem-se dedicado aos estudos sobre as mulheres na área das Artes Visuais. É também a nova diretora do museu de Évora, o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo.

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Sobre o programa

Botequim, da autoria da jornalista Sara de Melo Rocha, é um programa feito por mulheres, sobre mulheres. Aborda vários assuntos sob a perspetiva delas. É um espaço de diálogo e de escuta, para discutir desafios relacionados com a igualdade de género, através de entrevistas, conversas e histórias de mulheres que marcam a diferença. Cada programa vai abordar assuntos relacionados com política, educação, ciência, direitos humanos e o papel da mulher em cada um deles.

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