Conversas com Rastilho

A TSF e a Câmara Municipal de Oeiras acendem o rastilho à conversa. Na Fábrica da Pólvora não há temas tabu, assuntos incómodos ou perguntas sem resposta. Dois convidados, dois moderadores e todo o tempo para a atualidade ou para conversas à margem da espuma dos dias. Num espaço que começou a ganhar forma no século XVII, falamos do futuro, dos grandes temas da atualidade ou das pequenas causas que mobilizam a nossa comunidade. Duplas improváveis juntam políticos e artistas numa hora de conversa sem amarras moderada por Paulo Tavares e Renato Júnior. A produção está a cargo de Luísa Godinho. Para ouvir na antena da TSF na primeira terça-feira de cada mês, depois das 22h00.

Katia Guerreiro e Tomás Correia, uma conversa improvável unida pela música

Da música, à política e aos bancos, uma Conversa com Rastilho protagonizada por Katia Guerreiro e Tomás Correia.

A fadista Katia Guerreiro e o presidente da Associação Mutualista Montepio, Tomás Correia, têm o amor pela música em comum. Um de profissão, outro apenas de coração. Numa Conversa com Rastilho, o rastilho não se acendeu, até porque estas duas personalidades têm formas idênticas de olhar para os temas que estiveram em cima da mesa.

A fadista deixou a medicina para se dedicar à família, depois de a filha nascer, e não se arrepende, principalmente porque não abandonar as artes foi a opção mais acertada. "Tenho imensa saudade [da medicina], mas se tivesse escolhido a medicina em detrimento da música hoje estaria profundamente arrependida", contou.

Já Tomás Correia nunca fez da música profissão, mas 'foge' do dia a dia através do canto e faz parte até de noites de fado vadio. Teve aulas de música durante alguns tempos, mas acabou por desistir... com medo do sucesso. "Cheguei à conclusão de que se continuasse a ter aulas [de música] virava contra-tenor, o que era uma complicação muito grande, não estava psicologicamente preparado para isso", brincou.

Mais a sério, o banqueiro disse que as instituições têm a responsabilidade de ajudar as artes e "o dever de levar por diante uma política de responsabilidade social que vá ao encontro dos interesses das pessoas".

É o que o Montepio faz e todos ganham com isso. "Diria que o Montepio não ajudou nada os artistas, eles é que nos ajudaram a nós", atirou, frisando que está em causa uma "instituição de pessoas" e que as decisões nunca foram tomadas "com base em perspetivas de marketing ou de obtenção de ganhos".

Tomás Correia, num programa gravado ainda antes das eleições, comentou a situação dos populismos e dos partidos políticos de extrema-direita. "O país vive uma situação muito especial e particular relativamente aquilo que se passa no espaço europeu. Não vejo que os movimentos populistas que têm tido grande expressão no espaço europeu, e não só, aqui tenham atingido uma expressão tão significativa assim que ponha em causa aquilo que tem sido o modo de viver a política em Portugal nos últimos anos", frisou.

E num olhar pelo país, o presidente da Associação Mutualista Montepio não aceita os salários em Portugal.

"Não me conformo com os rendimentos médios dos salários em Portugal, reconheço que não é possível pagar mais face ao nosso desenvolvimento, mas não percebo porque é que não se olha, por exemplo, para o setor agrícola e como é que não somos capazes de desenvolver um programa que não é de uma legislatura, provavelmente é de duas ou três, que nos aproxime daquilo que é o potencial da nossa exploração agrícola, que não sejamos capazes de nos comparar com Espanha, por exemplo, e dizermos 'eu quero ter entre 1/4 e 1/5 da produção ou do produto agrícola espanhol, não me conformo com isso", sugeriu o banqueiro.

Apesar das ideias, Tomás Correia decidiu em 1974/75 que não se dedicaria à vida política, apesar de ser "fundador do PS, o militante o número 75".

Já Katia Guerreiro foi mandatária de Cavaco Silva na corrida à Presidência da República, em 2006, uma decisão que não se esquece e que levou as pessoas a criarem "um estigma".

"É naturalmente um estigma porque as pessoas criaram um estigma, puseram-me um estigma, eu não tenho estigma nenhum. Não sei porquê, já fiz aqueles testes que vêm nas redes sociais, que dizem que estou ali no meio, assim uma coisa um bocado obscura. Não, eu sou uma humanista, não sou de direita nem de esquerda, não sou de centro... eu sou eu própria. Tenho as minhas ideias, em relação a uns assuntos penso de uma forma, não tenho um rótulo político de todo. É evidente que me rotularam e me estigmatizaram dessa forma porque o professor Cavaco Silva é muito mal-amado", esclareceu a fadista.

Katia Guerreiro considera os "bastidores da política muito feios e muito sujos", frisando que não tem "perfil para aguentar" essa área.

"A partir do momento em que vemos que os responsáveis máximos deste país, sejam eles os grandes empresários, os banqueiros, os políticos que deviam ser o guia, a orientação de seriedade e de honestidade, deixa-me desiludida. Porque aqueles que são o exemplo e devem ser o exemplo se portam desta maneira e não respeitam a condição individual de cada um dos cidadãos deste país, o que vai acontecer é que os cidadãos não vão respeitar os direitos uns dos outros", aponta a artista.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de