Democracia, Para Que Te Quero

A TSF vai a escolas de norte a sul do país saber o que pensam os estudantes quando se fala de Democracia? Só de eleições? Ou de um modelo de organização da sociedade composta por cidadãos livres e iguais? Que direitos individuais e coletivos? Como vai ser o futuro? Democracia Para Que Te Quero, uma parceria da TSF com o Ministério da Educação.

Direitos sociais, culturais, económicos e ambientais em debate em Viseu

Foi na Escola Secundária de Viriato, em Viseu, que foram retomados os debates "Democracia, Para Que Te Quero", uma parceria da TSF com a Direção-Geral de Educação. Dezenas de alunos participaram.

Os direitos sociais e culturais ocuparam a primeira parte do debate, que mobilizou largas dezenas de estudantes para o espaço polivalente da secundária de Viriato. Sob coordenação científica de Mónica Dias (vice-diretora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa e organizadora do Fórum das Democracias) e moderação de Ricardo Alexandre, o debate percorreu uma variedade de temas com os estudantes a manifestarem a sua preocupação com os impactos da pandemia da COVID-19 nos seus direitos sociais e culturais. Ana Júlia, do 12.º D, deu conta de que "apesar de a democracia estar no nosso meio, temos poucas oportunidades de a debater. O que mais falta no nosso mundo, nas democracias, é isso: 'As pessoas debaterem para todos os dias chegarmos a uma democracia melhor para todos.'"

Os direitos da comunidade LGBT que, na opinião de outra estudante, Daniela, "ainda não tem a devida voz que merece, ainda são muito discriminados", foram outro dos pontos abordados. As insuficiências no Serviço Nacional de Saúde também fazem parte das principais preocupações levantadas pelos alunos durante o debate.

Ana Júlia, de origem brasileira, questiona: "O que seria de nós sem os nossos direitos sociais e culturais? A Humanidade é feita disso. A nossa base de sociedade é a cultura. Sem a nossa cultura, o que será de nós?"

E como defender os direitos sociais e culturais: Mariana, aluna da turma 12.º D que forneceu o painel de estudantes para o debate, responde dizendo que "temos de trabalhar mais para esses direitos e isso não tem sido feito ao longo dos últimos anos. Com a pandemia, os nossos direitos à reunião e à livre expressão foram postos em causa, o direito à educação também ficou bastante restrito, com o facto de não podermos vir à escola. Construiu-se um sistema de ensino diferente, à distância, em que acredito que muitas aprendizagens tenham ficado para trás, direitos sociais que ficaram condenados". Daniela concorda: "se me perguntarem do que me lembro dessa altura, creio que pouco ficou".

Quando se pergunta se consideram que ainda estão a pagar a fatura do tempo em que estiveram confinados, a resposta é inequívoca e perentória: "Sim!"

Se alguns puderam trabalhar em casa, Mariana lembra que a gestão de trabalhar com filhos em casa tornou as coisas mais complexas e colocou problemas ao nível da saúde mental, outra das grandes preocupações destes estudantes. "Esses problemas ficaram mais notórios com o trabalho em casa", refere Mariana. Ana Júlia acrescenta: "Quantas pessoas tiveram acesso a trabalhar em casa? Quantas pessoas tiveram esse privilégio, porque realmente é um privilégio?". A jovem estudante recorda que no mundo, muitas "crianças morreram de fome porque os pais não conseguiam trabalhar para sustentar a casa". O foco sempre foi, acrescenta, a Covid e "as pessoas que morreram, mas e as outras doenças? As consequências do não trabalhar sempre foram igualmente graves, mas o foco nunca foi esse, mas apenas a Covid-19".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de