Estórias do Fim da Rua

Detalhes da vida de um país que, de facto, existe. São crónicas dos dias, sempre baseadas em factos. Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência. Uma rubrica de Pedro Cruz.

O queixinhas

O condutor seguia no seu caminho, quando se deparou com uma aeronave em voo rasante. Assustado com a proximidade do aparelho mesmo em cima da autoestrada, acelerou, mas foi ficando atento. Do céu caíram dois fardos, pesados, gigantes, que acertaram mesmo no lugar onde era suposto - entre a A2 e a A26. É uma reta, terra de ninguém, que durante alguns quilómetros separa as duas autoestradas. Uma espécie de terreiro a céu aberto, com bons acessos, mas inacessível.

O homem ao volante é um queixinhas. Quando viu a mercadoria a cair dos céus, resolveu ligar à polícia. À GNR. Não só andava um avião demasiado perto do chão, como também linha largado uns fardos. Mais à frente, apurou a guarda, que se dirigiu de imediato para o local, mais à frente estava uma viatura parada na berma da autoestrada.

A GNR não conseguiu apurar ao certo o número de indivíduos que transportava a viatura, mas deduziu que ali se encontravam para recolher os fardos largados pela aeronave em voo rasante perto da interseção de duas autoestradas.

O carro que estava parado na berma e o número indeterminado de ocupantes conseguiu, ainda assim, recolher a mercadoria largada pelo avião. A viatura, assim consta dos autos, pôs-se em fuga. Ao chegarem à localidade de Azinheira dos Barros, já metidos por caminhos de terra batida e perseguidos por vários meios da GNR, o número indeterminado de indivíduos acabou por fugir a pé deixando para trás a viatura e os fardos.

Eram dois pacotes de haxixe. Nada disto teria acontecido se o condutor que circulava na A2 não tivesse sido queixinhas. Os portugueses invejosos e esta mania de se meterem na vida do tráfico de droga dos outros.

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