Governo Sombra

Eles querem, podem, mas não mandam! Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares - num programa moderado por Carlos Vaz Marques - são o Governo Sombra. Um governo que não decide. Uma equipa ministerial sem consenso. Um conselho de ministros que convive bem com as fugas de informação. Semanalmente, passam a atualidade em revista, examinam à lupa os dossiês, interpelam os protagonistas sem rodeios.
Domingo, depois das 11h00.

"A missão da polícia não é dar 'tautau' nos cidadãos"

O caso de Cláudia Simões, a mulher que acusa um agente da PSP de a ter agredido violentamente durante uma detenção na Amadora, foi tema de debate no Governo Sombra.

Cláudia Simões, angolana, 42 anos, foi detida por um agente da PSP depois de denunciada por um motorista da Vimeca por circular num autocarro sem título de transporte válido para a filha de oito anos, que a acompanhava. A mulher acabou por dar entrada na mesma noite nas urgências do Hospital Amadora-Sintra , onde recebeu tratamento para vários traumatismos e hematomas na zona da cabeça e da face, incluindo um "traumatismo cranioencefálico frontal", segundo o relatório médico .

A mulher acusa o polícia que fez a detenção de a ter agredido violentamente dentro do carro-patrulha, durante o transporte para a esquadra. A PSP emitiu um comunicado garantindo ter sido utilizada a "força estritamente necessária" para a detenção e que os ferimentos mais graves apresentados pela mulher teriam sido causados por uma "queda". Face à gravidade dos ferimentos apresentados pela mulher, o Ministério da Administração Interna (MAI) abriu um inquérito à atuação da PSP.

Carlos Vaz Marques abre o tema ao debate com imagens dos ferimentos apresentados pela mulher e pergunta a Ricardo Araújo Pereira se será este o tipo de "meliante" que justifica tal violência durante uma detenção. No registo irónico que lhe é habitual, o humorista declarou sentir-se mais seguro: "Acho que a Amadora está mais segura neste momento, eu conheço gente que mora na Amadora e o principal problema da Amadora são mães de 42 anos que viajam com filhas pequenas nos transportes públicos - que as crianças não pagam - que se esqueceram do passe em casa!" - Exclama o humorista.

Nas redes sociais foram também divulgadas imagens do momento da detenção, em que é possível ver a mulher deitada no chão, imobilizada pelo agente da PSP, e ainda sem ferimentos no rosto. Carlos Vaz Marques apresenta as imagens e pergunta a Ricardo Araújo Pereira que comentário lhe merece a técnica de imobilização aplicada pelo agente da PSP. O humorista volta ao tom irónico para dizer que lhe parece evidente que "está a ser aplicada a força justa para manietar uma mãe de 42 anos, cuja filha se esqueceu do passe. (...) Se fosse um jagunço de 20 anos, que tivesse uma arma no bolso, eu acho que aí bastava algemar ou assim. Agora, estas mães são perigosas!", reafirma o humorista.

João Miguel Tavares é da opinião de que o problema não é o que aconteceu momento da detenção, mas o que se passou depois, já que, quando já está imobilizada pelo polícia, a mulher não apresenta marcas de violência na cara. O jornalista lembra que um detido não pode ser agredido pela polícia depois de já estar sob custódia, mesmo que tivesse mordido - ou até agredido - o agente da PSP. Ricardo Araújo Pereira discorda da desvalorização da violência exercida no momento da detenção e afirma que "não há nada que a senhora possa ter feito antes que justifique aquela ação", porque "a missão da Polícia não é dar 'tautau' nos cidadãos!", argumenta o humorista.

Já visivelmente indignado, Ricardo Araújo Pereira menciona ainda a publicação feita pelo Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública na respetiva página de Facebook, em que o texto "As melhoras ao colega e espero que as análises sejam todas negativas a doenças graves" acompanhava o que seriam, alegadamente, fotografias das mãos do agente que fez a detenção da mulher, onde eram visíveis algumas marcas. A publicação causou indignação social, ao insinuar que o agente poderia ter contraído doenças ao ser mordido pela mulher. "Sabes o que é que é curioso nisto?" - lança Ricardo Araújo Pereira a João Miguel Tavares: "É que se o polícia tivesse feito isto a um cão, ele já tinha sido despedido" - conclui. A publicação, que foi entretanto removida da rede social, deu origem à abertura de um processo administrativo ao Sindicato pela parte da Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI).

A emissão completa do Governo Sombra, para ver ou ouvir, sempre em tsf.pt.

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