Governo Sombra

Eles querem, podem, mas não mandam! Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares - num programa moderado por Carlos Vaz Marques - são o Governo Sombra. Um governo que não decide. Uma equipa ministerial sem consenso. Um conselho de ministros que convive bem com as fugas de informação. Semanalmente, passam a atualidade em revista, examinam à lupa os dossiês, interpelam os protagonistas sem rodeios.
Domingo, depois das 11h00. À segunda-feira, depois das 13h00 em versão compacto

RAP abriu a época com um "cocktail de extremismo" com ingredientes de agosto

Depois de um mês de pausa, o Governo Sombra está de volta.

Ricardo Araújo Pereira (RAP) encontra-se ainda no Algarve, onde diz estar a cumprir o "dever cívico de fazer férias em Portugal em tempos de pandemia", mas isso não o impediu de participar no programa através de videoconferência.

Na primeira emissão da nova época, o humorista trouxe à mesa do Governo Sombra um "cocktail de extremismo", composto por "ingredientes" que surgiram no espaço público durante o mês de agosto.

Em primeiro lugar, RAP quis falar sobre o protesto realizado por um grupo de nacionalistas na noite do dia 8 de agosto, no qual um grupo de pessoas com máscaras brancas a taparem-lhes os rostos e carregando tochas acesas, se colocou em frente à sede da associação SOS Racismo. Mamadou Ba, um dos dirigentes da associação, considerou que o protesto reproduziu as práticas de grupos de extrema-direita do Ku Klux Klan, e considerou-o uma forma de intimidação e "terrorismo político", tendo sido feita uma queixa no Ministério Público (MP). Dias depois foi enviado à associação SOS Racismo um email, assinado por "Nova Ordem de Avis - Resistência Nacional", com ameaças dirigidas a ativistas antirracismo e às deputadas Mariana Mortágua, Beatriz Dias e Joacine Katar Moreira, o que desencadeou um inquérito da PGR, ainda em curso.

Ricardo Araújo Pereira começa por explicar que compreende o recurso às máscaras, porque também ele teria vergonha de mostrar a cara ao participar num protesto daquela natureza, e assinala que os adereços usados - máscaras brancas estilizadas e tochas de jardim que aparentam ser vendidas na Leroy Merlin - assinalam uma certa "sofisticação". João Miguel Tavares assinala que pode ser uma boa pista para a Polícia Judiciária, já que basta ir investigar quem foi que comprou uma dúzia de tochas na Leroy Merlin nos dias anteriores ao protesto. RAP recorda ainda que "quem foi ameaçado não deve atemorizar-se, porque quem ameaça é que está fora da lei, quem ameaça é que deve ter medo que a justiça lhe caia em cima".

Na sequência do protesto nacionalista e das ameaças a ativistas e deputadas, houve outro caso que chamou a atenção do humorista: o caso de um cartoon de Nuno Saraiva, publicado no suplemento satírico "Inimigo Público" do jornal "Público". Numa representação caricaturada do protesto nacionalista que tinha decorrido em frente à sede da associação SOS Racismo, uma das personagens envergava uma farda policial. A Polícia de Segurança Pública (PSP) não gostou e apresentou uma queixa-crime ao MP, levantando de novo a questão da defesa da liberdade de expressão. Ricardo Araújo Pereira volta a defender que os critérios não podem ser dúbios e que não se pode decidir coisas diferentes em relação aos limites da liberdade de expressão conforme os protagonistas e o que é expresso em cartoons.

Por fim, o humorista quis falar no caso de Steve Bannon. O antigo estratega político de Donald Trump - e ídolo da extrema-direita europeia - foi detido por suspeita do desvio de milhares de dólares de fundos doados durante uma campanha de angariação para financiar a construção de um muro na fronteira entre EUA e o México. Bannon foi libertado no mesmo dia, após o pagamento de uma fiança de cinco milhões de dólares. Donald Trump demarcou-se do caso, mas André Ventura ("mini-Trump", nas palavras de Ricardo Araújo Pereira), fez questão de manifestar a sua indignação com a detenção de Steve Bannon nas redes sociais. Ricardo Araújo Pereira considera essa manifestação de apoio "surpreendente" e define André Ventura como um "escanção de corruptos", ou seja, alguém que separa os corruptos entre os que são condenáveis e os que não são.

Carlos Vaz Marques aproveita e questiona RAP sobre o anúncio feito pelo Partido Pró-Vida (PPV), de que se iria fundir com o Chega em setembro, sendo o Chega um partido que defende a pena de morte. RAP lembra que não é inédito que partidos "pró-vida" sejam a favor da pena de morte, apesar da incoerência.

A emissão completa do Governo Sombra, para ver ou ouvir, sempre em tsf.pt.

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