Governo Sombra

Eles querem, podem, mas não mandam! Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares - num programa moderado por Carlos Vaz Marques - são o Governo Sombra. Um governo que não decide. Uma equipa ministerial sem consenso. Um conselho de ministros que convive bem com as fugas de informação. Semanalmente, passam a atualidade em revista, examinam à lupa os dossiês, interpelam os protagonistas sem rodeios.
Domingo, depois das 11h00.

Ricardo Araújo Pereira comenta as entrevistas a André Ventura

As entrevistas que o candidato presidencial André Ventura deu recentemente à RTP e ao Observador foram tema de conversa no Governo Sombra desta semana.

Ricardo Araújo Pereira (RAP) assistiu a ambas e considera que a dirigida por Miguel Pinheiro e mais dois jornalistas do Observador pode ser considerada um exemplo do que faltou à dirigida por João Adelino Faria na RTP.

"Reagir a André Ventura com indignação e ranger de dentes gera aplausos nos convertidos - ou seja, nas pessoas que já abominam André Ventura - só que tem um problema, que é: primeiro, não é jornalismo, e segundo, não faz nada, ou até reforça a posição dos que já estão inclinados para votar em André Ventura." - Defendeu o humorista, referindo-se à entrevista da RTP.

RAP lamenta que João Adelino Faria não tenha confrontado André Ventura em relação ao "estudo sobre ciganos" que o candidato presidencial do Chega referiu durante a entrevista, afirmando conclusões que não constam no mesmo: "Nessa entrevista da RTP, Ventura disse: 'porque saiu um estudo sobre ciganos que diz...' - E o estudo não diz nada disso! Havia que perguntar: 'Qual é o estudo? Onde é que diz isso?' - É que, na verdade, não diz. O grande estudo que houve sobre as comunidades ciganas não diz aquilo que ele diz que diz." - Esclarece o humorista.

RAP defende também que sempre que André Ventura menciona a alegada fuga aos impostos da comunidade cigana, há uma pergunta que deveria ser feita pelos jornalistas: "Na sua atividade de consultor fiscal, não é isso que o senhor faz?' - A única diferença é que ele ajuda pessoas a não pagar impostos, mas essas pessoas não vestem camisas pretas. Vestem gravatas e etc".

O humorista, que é também jornalista de formação, passa a elogiar a entrevista feita pelo Observador, considerando que os jornalistas fizeram "um ótimo trabalho de reagir a André Ventura, não com indignação, mas com factos." - E menciona a parte da entrevista em que André Ventura é confrontado com a "Lei da Rolha" no seu partido. André Ventura defende-se na entrevista, argumentando que em política não se deve recorrer ao insulto, contudo, o candidato presidencial do Chega insulta frequentemente adversários de esquerda: "É óbvio que Ventura não tem nada contra insultos no discurso político. Tem contra insultos contra ele e que perturbem o funcionamento do seu partido", faz notar RAP.

O humorista menciona ainda o arranque da entrevista do Observador: "A primeira pergunta da entrevista é Miguel Pinheiro a dizer: 'André Ventura, nas redes sociais escreveu: 'Deus confiou-me a difícil, mas honrosa, tarefa de transformar Portugal.' - Pausa - 'Quando é que isto aconteceu?" - E é realmente uma ótima pergunta, porque, quando alguém indica que Deus o escolheu, eu creio que um jornalista pode perguntar em que altura é que o Criador Todo-Poderoso do Universo pensou 'Portugal precisa de uma transformação, quem é que eu hei de escolher? Já sei! Vai aquele comentador de futebol da CMTV!' - Em princípio é uma pergunta que faz sentido..." - Conclui.

A emissão completa do Governo Sombra, para ver ou ouvir, sempre em tsf.pt.

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