Mês das Hepatites na TSF

A Hepatite C continua a ser um problema de saúde pública. Este mês em que se assinala o Dia Mundial das Hepatites, a TSF sai à rua para contar as diferentes perspetivas de quem trabalha e vive com a doença. Para ouvir todas as sextas-feiras de manhã e à tarde, retratos da hepatite C em Portugal. Uma iniciativa da TSF, DN e JN, com o apoio da Gilead Sciences.

O projeto de proximidade da Associação Ares do Pinhal

O combate à hepatite C entre a comunidade toxicodependente de Lisboa, onde a prevalência da infeção é grande, tem um novo aliado: IPSS Ares do Pinhal.

Ainda não são 8h30 da manhã, mas em Santa Apolónia, Lisboa, um grupo de 20 pessoas, quase todos homens, forma uma fila. Aguardam, expectantes, aparentemente nervosos, a chegada de uma carrinha.

É aqui que todas as manhãs, há um ano, a unidade móvel da Ares do Pinhal, Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) que há mais de 30 anos apoia toxicodependentes, vai ao encontro da população com hepatite C.

As duas unidades móveis da instituição que circulam na capital e distribuem metadona estão a incentivar os utilizadores de drogas, nem sempre preocupados com a doença, a fazerem o rastreio e a iniciarem o tratamento da hepatite C. É um projeto de proximidade feito em colaboração com os Hospitais de Santa Maria e Egas Moniz.

"Eles não se organizam com facilidade para ir ao hospital e fazerem os exames e consultas necessários para começar o tratamento. É uma vitória conseguirmos que eles adiram ao tratamento", conta a psicóloga Carolina Marques.

A relação da hepatite C com as drogas é forte, pelo que a prevalência da doença entre toxicodependentes é alta, assim como a taxa de novos casos. Esta é uma infeção silenciosa - só se dá por ela quando o fígado já não aguenta. E nesse momento pode ser tarde demais para começar o tratamento.

Francisco, de 54 anos, perdeu a conta ao tempo que vive com hepatite C, mas há um mês que todos os dias faz o tratamento na carrinha da IPSS Ares do Pinhal e assegura que se sente bem.

Com o tratamento a meio, este é um bom exemplo, afirma Carolina Marques. "Um passinho de cada vez, estamos a conseguir chegar a resultados e a conseguir que as pessoas sejam curadas."

A reinfeção é uma realidade em caso de comportamentos de risco, mas também a consciencialização faz parte do trabalho da unidade móvel da IPSS Ares do Pinhal.

Dentro da carrinha, o enfermeiro Paulo Lourenço distribui doses de metadona a quem está do lado de fora.

Os efeitos secundários do anterior fármaco desapareceram, o que "está a levar a uma grande aderência ao tratamento", também com ajuda do passa a palavra, destaca.

A medicação tem de ser tomada na mesma altura e com comida, pelo que, para facilitar o tratamento, é feita uma administração direta na carrinha. Aos doentes em situação de sem abrigo são fornecidas bolachas e sumo.

Alexandra, de 40 anos, é toxicodependente, seropositiva e tem o vírus da hepatite C. Vive na rua e não tem condições para guardar a medicação na pequena tenda que lhe dá abrigo, sujeita a roubos. Todos os dias recebe metadona e medicação na unidade móvel da IPSS Ares do Pinhal.

"Fiz um tratamento com Interferon e era horrível", conta. A nova medicação mudou tudo. Ultrapassada a primeira semana com enjoos e azia, agora "está a correr tudo bem".

Elsa Belo, diretora técnica deste programa de minimização de riscos e minimização de danos, diz que as parcerias com o hospital de Santa Maria e Egas Moniz foram uma bênção.

A simplicidade dos novos fármacos, mas também a deslocação de médicos às unidades móveis como esta aceleraram o processo de cura da hepatite C entre os utilizadores de droga.

Já o registo informático ajuda os profissionais de saúde - uma psicóloga ou assistente social, um ou dois enfermeiros e dois monitores - a manterem-se a par da situação de cada uma das 1200 pessoas utilizam as duas carrinhas que circulam em Lisboa.

Esta é sobretudo uma relação de proximidade, de pessoas para pessoas, diz Ermita Rosário, monitor na IPSS há mais 20 anos. O tratamento depende muito dos relacionamentos. "Se não tivessem confiança em nós nem se metiam nisso".

"Eles são doentes, mas devemos olhar para eles como seres humanos (...) Um bom dia pode não representar muito para si, mas para eles representa muito."

Para assinalar o Dia Mundial das Hepatites, que se celebra a 28 de julho, a TSF transmite este mês uma série de quatro trabalhos sobre a hepatite C. A doença afeta cerca de 45 mil pessoas em Portugal, a maioria homens com idades entre os 30 e os 70 anos.

Esta é uma iniciativa da TSF, DN e JN, com o apoio da Gilead Sciences

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados