Mês das Hepatites na TSF

A Hepatite C continua a ser um problema de saúde pública. Este mês em que se assinala o Dia Mundial das Hepatites, a TSF sai à rua para contar as diferentes perspetivas de quem trabalha e vive com a doença. Para ouvir todas as sextas-feiras de manhã e à tarde, retratos da hepatite C em Portugal. Uma iniciativa da TSF, DN e JN, com o apoio da Gilead Sciences.

Um apoio essencial para grupos vulneráveis

Há cinco grupos definidos pela Direção Geral de Saúde como mais vulneráveis no contexto da hepatite C: toxicodependentes, sem abrigo, trabalhadores do sexo, homens que têm sexo com outros homens e imigrantes.

É sobre estas populações de risco que recai o foco para combater a doença e cumprir as metas da Organização Mundial de Saúde: reduzir a hepatite C em 90% e a mortalidade que lhe está associada em 65% até 2030.

A Associação Ser+ tem uma unidade móvel de rastreio desta e de outras infeções que abrange os grupos vulneráveis dos concelhos de Cascais e Oeiras e também faz o acompanhamento no acesso aos cuidados de saúde.

"Faz uma diferença muito grande sermos nós a chegar às pessoas", garante Ana Duarte, responsável pelo projeto que trabalha há 22 anos com populações mais vulneráveis.

Além disso, mesmo dentro dos grupos de risco cada caso é um caso. Por exemplo: "A população imigrante em cujos países de origem exista baixa prevalência da infeção não é vulnerável." O mesmo não se pode dizer de pessoas provenientes de países com maiores consumos de droga ou com sistemas de saúde deficientes.

Pelo menos uma vez por mês, e sempre no mesmo local, esta unidade móvel de rastreio faz testes rápidos, sem necessidade demarcação prévia, a quatro infeções: VIH, sífilis, hepatite B e hepatite C.

Das 6.500 pessoas testadas pela Associação Ser+, 80% fizeram-no através da unidade móvel de rastreio. Dessas, 40% já tinham hepatite C, mas estavam longe dos hospitais.

Para quem tem "uma vida desestruturada", há passos que tem de ser dados com apoio: da marcação de consultas à deslocação ao hospital, ou simplesmente ajudar a explicar porque estão aqueles utentes isentos de taxas moderadoras.

É no ultrapassar de todos estes obstáculos que instituições como a Associação Ser+ têm um papel decisivo - oferecem resiliência.

André Neves, na casa dos 50, faz do sexo profissão desde os 35 e viu-se confrontado com o "problema burocrático" do sistema de saúde público.

Esperou um mês para receber a primeira consulta, depois de três meses a consulta para saber se os exames eram positivos ou negativos foi "desmarcada sem explicação" e só quase seis meses depois de ter tomado a iniciativa de fazer o teste soube que não estava infetado.

"No hospital somos quase números. Desde que nascemos ganhamos um número de contribuinte e ficamos presos ao sistema. Aqui somos não um número mas uma pessoa", diz, sobre a Associação Ser+.

No Algarve, nasceu um projeto hospitalar destinado um novo subgrupo no contexto das hepatites: os doentes psiquiátricos.

O objetivo é unir os serviços de medicina e psiquiatria do hospital de Portimão, com apoio da Universidade do Algarve, que financia a compara dos testes, e integrar o combate à infeção na rotina dos cuidados do utente.

É legítimo considerar os doentes psiquiátricos uma população particularmente vulnerável no contexto das hepatites, considera a médica Domitília Faria.

Nestes casos, o doente tanto pode "perder o papel ou perder a ideia de que tinha de marcar a consulta."

Ricardo Batista Leite, médico e deputado coordenador na comissão parlamentar de saúde, defende que as "populações com particularidades sociais e económicas que exigem uma abordagem específica exigiriam até uma estratégia própria".

"Infelizmente em Portugal ainda há um longo caminho a percorrer" com vista à microeliminação da infeção pelo vírus da hepatite C, lamenta. "Neste momento, continua a ser uma miragem."

Para assinalar o Dia Mundial das Hepatites, que se celebra a 28 de julho, a TSF transmite este mês uma série de quatro trabalhos sobre a hepatite C. A doença afeta cerca de 45 mil pessoas em Portugal, a maioria homens com idades entre os 30 e os 70 anos.

Esta é uma iniciativa da TSF, DN e JN, com o apoio da Gilead Sciences

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