Números Redondos

João Nuno Coelho traz-nos todas as sextas-feiras, os números, tendências, marcas, nomes e perspetivas para o fim de semana de futebol.
Emissões entre março e junho de 2019 com João Nuno Coelho e Teófilo Fernando. Emissões entre setembro de 2018 e fevereiro de 2019 com João Nuno Coelho e Nuno Miguel Martins; Emissões entre setembro de 2014 e julho de 2018 com João Nuno Coelho

Finais para uns, estreia para outros

À entrada da jornada 24 do campeonato, o primeiro continua com 1 ponto de vantagem sobre o segundo, mas o perseguido passou a perseguidor e vice-versa, com o Porto a querer manter a liderança que parecia inalcançável há 4 jornadas apenas e o Benfica a precisar de parar a sangria (de pontos) desatada em que tem vivido. Isto enquanto o Sporting estreia o quarto treinador da época.

V. Setúbal - Benfica (sábado, 18.00)

A equipa de Bruno Lage precisa desesperadamente de estancar a "hemorragia" de pontos no campeonato: nos últimos quatro jogos perdeu 8 pontos, conquistando somente 4, o que implicou uma quase inverosímil perda da liderança.

Nunca na sua história, o Benfica cedera tantos pontos em 4 partidas estando na condição de líder. Aliás, os encarnados enquanto líderes nunca desperdiçaram uma vantagem de 7 pontos já na segunda volta do campeonato. Mas com 33 pontos em disputa até ao final da liga tudo pode acontecer.

Não deixa é de ser um facto que o clube da Luz tem que inverter a tendência recente: 2 derrotas e 1 empate em 4 jogos. Para encontrar uma série mais negativa das águias no campeonato é preciso recuar até ao início da temporada 2010/11, quando o Benfica campeão, de Jorge Jesus, arrancou a liga com 3 derrotas em 4 partidas. E a verdade é que não mais recuperaria a desvantagem para o Porto de André Villas-Boas.

Pode até ser uma coincidência, mas a verdade é que desde a lesão de Gabriel tudo começou a correr mal: com o brasileiro, o Benfica tinha 11 vitórias consecutivas em todas as provas, mas desde a sua saída da equipa esta não fez melhor do que ganhar um jogo em 7 em todas as competições, somando 3 derrotas e 3 empates.

Impressionante é ainda o facto de Gabriel contar por vitórias os 13 encontros de campeonato que disputou, não tendo, portanto, participado nas 2 derrotas contra o Porto, no desaire com o Braga e no empate com o Moreirense.

Tendo em conta os resultados obtidos na Liga, pode-se afirmar que jogar fora de casa neste momento complicado até pode ser favorável aos comandados de Lage: nesta liga o Benfica somente perdeu 3 pontos na condição de visitante (no Dragão), contra 8 pontos desperdiçados em casa.

Além disso, o Vitória de Setúbal conta por derrotas os últimos 3 jogos disputados como visitado. Deve dizer-se, no entanto, que os sadinos foram durante a primeira parte da temporada uma equipa difícil de bater no Bonfim (o Benfica empatou aí 2-2 para a Taça da Liga, apesar de ter atuado com alguns jogadores menos utilizados), sofrendo poucos golos caseiros. Aliás, continuam a ter a terceira melhor defesa enquanto visitados (10 golos sofridos), logo atrás de Porto (5) e Benfica (7).

Mas este registo mudou por completo nas últimas semanas, como fica patente nos resultados mais recentes em casa: 1-3 com o Sporting, 0-4 com o Porto, 1-2 com o Aves. Ou seja, em 3 jogos sofreram 9 dos tais 10 golos concedidos até ao momento no Bonfim para o campeonato.

Note-se ainda que o Vitória possui o 2º pior ataque da prova, com somente 16 golos apontados (contra 15 do Portimonense). E em casa o panorama é ainda mais negro: pior ataque caseiro com 6 tentos concretizados.

Em termos históricos, o confronto recente é bem favorável aos encarnados, que venceram 8 dos últimos 10 jogos no Bonfim, para o campeonato, a que se juntam um empate e uma derrota. Mas é uma realidade que esse desaire sucedeu na liga 2017/18, a única perdida pelo Benfica nas últimas 6.

Probabilidades Números Redondos: V. Setúbal 8% / empate 16% / Benfica 76%

Porto - Rio Ave (sábado, 20.30)

Estarão frente a frente no Dragão duas das equipas com melhor registo geral recente na liga portuguesa: o Porto venceu os últimos 6 jogos, somando ainda 9 triunfos nos últimos 10 encontros (a excepção aconteceu em casa, frente ao Braga). Já o Rio Ave não perde há 8 partidas (a sua melhor série do campeonato), contando com 5 vitórias e 3 empates.

Por isso mesmo, os vilacondenses seguem no 5º lugar da geral, a somente 2 pontos do 4º, o Sporting. Ainda mais significativo é o facto da equipa de Carlos Carvalhal ter ganho os últimos 4 jogos fora de casa (Tondela, V. Guimarães, Aves e Santa Clara). E convém lembrar que já venceu 2 vezes em Alvalade, uma para o campeonato e outra para a Taça da Liga.

Não surpreende, pois, que o Rio Ave seja a quarta melhor equipa na condição de visitante nesta liga, logo a seguir a Benfica, Porto e Braga, com 6 triunfos e um saldo de 15-10 em golos. Os vilacondenses contam ainda com alguns dos maiores especialistas em contra-ataque e ataque rápido da liga, como o iraniano Taremi (7 golos e 1 assistência), o brasileiro Diego Lopes (5 golos e 4 assistências) ou o português Carlos Mané (1 golo e 5 assistências), a que se juntou no mercado de inverno Gelson Dala, responsável por 3 golos em 130 minutos disputados no campeonato.

Do lado portista, destaque para a capacidade goleadora dos seus defesas, em grande parte devido à propensão da equipa de Sérgio Conceição para marcar de bola parada: 21 golos apontados desta forma num total de 49 tentos na liga. E como o Rio Ave é o segundo pior do campeonato em termos de duelos aéreos ganhos (média de 13.2 por jogo), este pode ser um aspeto decisivo no encontro do Dragão.

Recorde-se, aliás, que na primeira volta os portistas venceram em Vila de Conde com um golo de cabeça de Marega, após canto de Alex Telles. O defesa-esquerdo brasileiro é o melhor marcador da equipa na prova (8 golos, 5 de penálti), seguido de perto pelo defesa-central espanhol Marcano com 5 tentos (todos na sequência de bolas paradas). Também Corona (2), Manafá (1) e Pepe (1) já faturaram, completando um total de 19 golos obtidos por defesas (ou jogadores que atuam como defesas), o que corresponde a 39% do total da equipa no campeonato.

No que diz respeito ao confronto histórico, recorde-se que o Porto venceu 9 dos últimos 10 jogos em casa com o Rio Ave, com a exceção (um empate a 1 golo) que custou o lugar ao então treinador dos dragões, Julien Lopetegui, em Janeiro de 2016.

Probabilidades Números Redondos: Porto 78% / empate 14% / Rio Ave 8%

Sporting - Aves (domingo, 17.30)

Dificilmente o novo treinador do Sporting, Rúben Amorim, poderia ter adversário mais acessível na sua aguardada estreia no banco dos leões. O Aves segue praticamente desde o início do campeonato no último lugar da prova e está já 9 pontos abaixo da liga de água.

Além disso, em todo o campeonato os avenses só conseguiram evitar a derrota na condição de visitantes em duas ocasiões (uma vitória em casa do Marítimo e um empate no reduto do Famalicão). Apesar de tudo, note-se que estes resultados aconteceram recentemente, ambos em Fevereiro.

Claro que os 46 golos sofridos até agora pelo Aves (a pior defesa da prova) mostram bem as fragilidades coletivas da equipa de Manta Santos, que é igualmente a defesa mais batida fora de casa (26 tentos em 11 jogos).

Os avenses até não são dos piores ataques da liga (31 golos, dos quais 12 enquanto visitantes), mas estão muito dependentes de um só jogador: o iraniano Mehrdad, já com 7 tentos e 5 assistências (participação decisiva em 52% dos golos).

Claro que o desempenho do Sporting também não é propriamente invejável, tendo em conta a dimensão do clube. Segue no 4º lugar, com o Rio Ave (com menos 2 pontos) e o Famalicão (menos 3 pontos) à perna, e apresenta dados pouco lisonjeiros: apenas o 6º melhor ataque (35 golos, à pobre média de 1.5 por jogo) e a 7ª melhor defesa (26 golos sofridos, a uma média superior a 1 por encontro).

Pode mesmo dizer-se que ao mudar para Alvalade, Rúben Amorim baixou na classificação (de 3º para 4, com uma diferença de 4 pontos), mas não só, já que o Braga lidera a maior parte dos dados ofensivos do campeonato: é a equipa que mais remata (15.9 em média por jogo), enquanto o Sporting é 5º nesse parâmetro (14.4), o mesmo acontecendo em termos de remates no alvo (5.8 contra 4.4 - o Sporting é 7º neste particular), ou nos remates dentro da área (9.2 contra 7.3 - o Sporting é 5º).

E convém ainda lembrar que Amorim sai de Braga sem perder para o campeonato (8 vitórias e 1 empate), sendo que no mesmo período o Sporting perdeu 4 vezes (uma das quais em Braga).

Probabilidades Números Redondos: Sporting 80% / empate 15% / Aves 5%

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