Números Redondos

João Nuno Coelho traz-nos todas as sextas-feiras, os números, tendências, marcas, nomes e perspetivas para o fim de semana de futebol.
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Luta pelo título passa a perseguição

Depois das derrotas do Benfica frente a Santa Clara e Marítimo, com o Porto a vencer finalmente dois jogos seguidos, a luta ombro-a-ombro pelo título transformou-se numa perseguição com poucas hipóteses de êxito para os encarnados que, entretanto, despediram Bruno Lage.

1. Benfica-Boavista (sáb., 4 julho, 21.15)

Nunca na história da liga portuguesa se terá visto um candidato envolvido numa luta taco-a-taco pelo título nacional, no último terço da prova, a apresentar um registo próprio de quem luta para evitar a descida de divisão.

Mas é isso que tem acontecido ao Benfica, que nos últimos 5 jogos (desde o reatamento do campeonato) somou 5 pontos, e que nos derradeiros 10 encontros conseguiu 10 pontos. Uma média de 1 ponto por partida, que colocaria os encarnados nos últimos lugares na classificação virtual, por exemplo, da liga pós-regresso: com 5 pontos conquistados o Benfica seria 14º e abaixo estariam apenas Aves (1 ponto), V. Setúbal (2), Gil Vicente (3) e Braga (4).

Se a classificação virtual for relativa aos últimos 10 jogos, o Benfica desce para o 15º lugar, com 10 pontos, deixando apenas para trás Aves (2 pontos), V. Setúbal (5) e Tondela (6).

O adeus de Lage

Tendo em conta estes números não custa tanto a entender a saída do treinador Bruno Lage, substituído interinamente pelo seu adjunto Nélson Veríssimo.

O técnico setubalense passou do melhor dos sonhos ao pior dos pesadelos em apenas alguns meses. Recorde-se que há apenas 10 jornadas o Benfica chegava ao Dragão com 7 pontos de avanço sobre o segundo classificado da Liga, exatamente o Porto, depois de ceder apenas 3 pontos nos primeiros 19 encontros da prova.

Depois disso, foi o descalabro total, com somente 2 vitórias alcançadas, ambas fora de casa (Barcelos e Vila do Conde). Fazendo um balanço final da passagem de Lage pelo banco do Benfica registe-se uma belíssima percentagem geral de vitórias no campeonato (79%), mas que chegou a ser estratosférica e inédita (95%), quando chegou à jornada 20 do presente campeonato com 36 vitórias em 38 encontros. O problema foram mesmo os últimos 10 jogos.

De qualquer forma, será importante referir que os números de Lage são bem inferiores noutras provas do calendário: na Liga dos Campeões e na Liga Europa tem mais derrotas do que vitórias; na Taça da Liga não venceu qualquer encontro (em 4 disputados). Resta a Taça de Portugal, em que na época passada foi eliminado nas meias-finais e na presente colocou o Benfica na final.

Fazer o que nunca foi feito

Com 6 pontos de atraso (que na prática são 7, dada a vantagem portista no confronto direto) para o Porto, resta ao Benfica continuar a lutar pelo título enquanto houver possibilidades matemáticas. Mas para serem bem-sucedidos, os encarnados teriam que vencer todos os seus jogos (5) e esperar que os azuis e brancos perdessem 2 partidas e empatassem 1 ou, em alternativa, empatassem 2 jogos e perdessem 1.

Algo pouco provável, como prova a própria história do campeonato português: nunca uma equipa com vantagem pontual correspondente a duas vitórias, à entrada das últimas 5 jornadas, desperdiçou tal superioridade, em mais de 80 anos de existência da I Divisão.

O Benfica tem, pois, que fazer aquilo que nunca foi feito para ser campeão, mas o grande problema é que não depende de si. O que não impede que a equipa tenha a obrigação de fazer a sua parte, começando pela receção ao Boavista.

Pode dizer-se que até ao momento, os encarnados têm falhado principalmente em casa, com 13 pontos perdidos na Luz, onde já não vencem desde a jornada 19, aquela que marcou o princípio do fim do reinado de Bruno Lage, logo antes da deslocação ao Dragão. Nessa altura, o Benfica venceu o Belenenses SAD por 3-2 e depois disso a águia realizou 4 partidas em casa, perdendo 2 (Braga e Santa Clara) e empatando outras 2 (Moreirense e Tondela).

O adversário deste sábado não será dos mais acessíveis nesta altura, dado que o Boavista é das equipas com melhor registo pós-retoma da liga, com 9 pontos conquistados, sendo ainda das equipas com menos golos sofridos fora de casa (14), apenas atrás de Porto, Benfica e Rio Ave (todos com 12). Apesar disso, os axadrezados fora recentemente goleados no Dragão por 4-0.

Desde o regresso do Boavista ao escalão principal (2014), apenas por uma vez não foi claramente batido na Luz: aconteceu em 2016/17, com um empate final a três golos.

Probabilidades NR: 70% Benfica / 20% Empate / 10% Boavista /

2. Porto - Belenenses SAD (dom., 5 julho, 21.15)

O Porto parece ter agora "a faca e o queijo na mão" na luta pelo título. Como já vimos, seria inédito uma equipa perder esta luta com a atual vantagem dos portistas, a somente 5 jornadas do fim do campeonato.

A vitória da eficácia

Tínhamos referido, na semana passada, que no crucial jogo de Paços de Ferreira seria decisivo para o Porto manter a eficácia no aproveitamento das ocasiões de golo demonstrada na 2ª parte do jogo com o Boavista.

Não esperávamos é que os portistas levassem tão à letra tal ideia: marcaram 1 golo em 2 ocasiões e acabaram por vencer com felicidade um jogo que o próprio Sérgio Conceição admitiu ter o empate como resultado mais justo.

Assim sendo, o Porto que chegara ao intervalo do jogo com o Boavista no Dragão com um acumulado de 21 oportunidades de golo desde a retoma do campeonato e o saldo incrível de somente 2 golos marcados (ambos por Corona), marcou 5 golos em 8 oportunidade no último jogo e meio... Estes são os desígnios muitas vezes insondáveis do futebol e da...vida.

Em Paços de Ferreira, a fundamental vitória do Porto teve ainda alguns traços característicos da equipa de Conceição nesta temporada: marcou o único golo do jogo na sequência de uma bola parada, o 25º deste tipo num total de 57 tentos apontados no campeonato (44%).

Igualmente típico foi o batedor do canto que deu origem ao golo: Alex Telles somou a sua 23ª intervenção direta em golo no campeonato (9 golos, 5 assistências e 9 participações em jogadas de golo), o que também corresponde a mais de 40% dos tentos da sua equipa.

Finalmente, o golo do triunfo em Paços de Ferreira foi apontado por um defesa azul e branco, Mbemba: até agora no campeonato os defesas portistas já marcaram 18 golos (Alex Telles, 9; Marcano, 5; Mbemba, 2; Pepe e Manafá, 1 cada um. Ou seja, 31% dos golos da equipa na Liga.

Mais importante do que isso, os defesas do Porto têm marcado golos verdadeiramente decisivos, garantindo diretamente 5 vitórias e 3 empates (um total de 18 pontos): Alex Telles (2 triunfos/1 empate), Marcano (2/0), Mbemba (1/1) e Pepe (0/1).

Manter a distância...

Com 5 jogos para terminar o campeonato, e perante a receção ao Belenenses SAD este domingo, será agora fundamental para o Porto manter o seu registo muito positivo em casa, até porque tem a vantagem de jogar 3 desses 5 jogos no Dragão, mesmo que sem público.

Até esta altura o Porto perdeu apenas 5 pontos em casa e sabe que para ser campeão bastaria vencer todos os encontros como anfitrião.

Convém, no entanto, lembrar que o Belenenses SAD está ainda envolvido na luta pela manutenção, entrando nesta 30ª jornada com somente 4 pontos acima da linha de água.

Um ponto que seja será importante para a equipa de Petit, que como treinador já pregou algumas partidas no Dragão, por exemplo ao serviço do Tondela (vitória em 2016) e do Boavista (empate em 2014), sendo que frente ao Porto no campeonato Petit tem um impressionante saldo nulo: 6 jogos, 2 triunfos, 2 empates e 2 derrotas.

Desde o recomeço do campeonato o B. SAD somou só 5 pontos, sendo que 3 destes foram conquistados em casa do último, o Aves. Aliás, como seria de esperar de uma equipa que não tem "casa", o Belenenses SAD até ao momento tem um desempenho praticamente igual na condição de visitante como quando atua como visitado.

Os azuis são ainda a 2ª pior defesa do campeonato, com 45 golos sofridos. Pior só mesmo o último classificado e já despromovido Aves. No entanto, a maior parte dos golos sofridos pelo B SAD aconteceram em "casa".

Em termos de confronto recente, as duas equipas apenas se defrontaram 2 vezes no Dragão, com vitórias tranquilas do Porto (2-0 e 3-0), nas 2 últimas temporadas.

Probabilidades NR: 80% Porto/ 15% Empate / 5% B. Sad

3. Moreirense - Sporting (seg., 6 julho, 21.00)

O Sporting de Rúben Amorim está imparável, confirmando as boas indicações dos primeiros jogos da retoma. Os leões já somaram 13 pontos nesta fase do campeonato, assumindo-se como favoritos na luta pelo terceiro lugar do pódio, graças também ao descalabro do Braga de Custódio.

Amorim: repetir no Sporting o que fez no Braga

No Braga, estreando-se na primeira liga, Amorim somou 8 vitórias e 1 empate. No Sporting leva já 5 vitórias e 1 empate, aproximando-se dos números alcançados ao serviço dos minhotos. Contas feitas são 15 encontros da liga, com 13 triunfos e 2 empates.

Amorim aproxima-se assim do recorde de Bruno Lage em termos de jogos consecutivos sem perder no campeonato como estreante: 21. Faltam somente 6 para igualar Lage.

Recorde-se que ao serviço do Braga somou 2 derrotas, ambas com o Rangers, para Liga Europa, mas em compensação venceu a final four da Taça da Liga, conquistando um troféu nacional com somente 5 encontros disputados ao mais alto nível. E tudo isto sem ser oficialmente treinador principal - dado não possuir habilitações para tal. Um caso com certeza inédito mesmo a nível internacional...

Deslocação de risco

O próximo desafio de Amorim e do Sporting é exigente. O tranquilo Moreirense tem um bom registo caseiro, com 6 vitórias conquistadas a que soma 4 empates. Além disso, na liga, os "Cónegos" somente perderam 1 jogos nos últimos 11, o que atesta a enorme competência da equipa de Ricardo Soares.

Apesar disso, 3 das 4 derrotas do Moreirense com Soares como treinador aconteceram em casa, embora perante adversários de peso: Porto., Braga e Rio Ave.

No conjunto minhoto merece a pena destacar a temporada impressionante do avançado angolano Fábio Abreu, já com 14 golos no conjunto de todas as partidas, dos quais 12 no campeonato, que fazem dele o quinto melhor marcador da prova.

No Sporting, o destaque vai todo para a continuação da aposta de Amorim nos jovens da academia dos leões: são já cinco estreias absolutas na equipa principal - Matheus Nunes, Eduardo Quaresma, Nuno Mendes, Tiago Tomás e Joelson Fernandes. Admirável, apesar da consciência dos riscos que este tipo de aposta massiva nos mais jovens acarreta, nomeadamente em campos de equipas competitivas como o Moreirense e bem mais experientes.

Em termos de confronto histórico, as visitas recentes dos leões a Moreira de Cónegos têm sido, em geral, bem-sucedidas, com 4 vitórias e 1 empate nos últimos 5 anos.

Probabilidades NR: 15% Moreirense / 25% Empate / 60% Sporting

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