Números Redondos

João Nuno Coelho traz-nos todas as sextas-feiras, os números, tendências, marcas, nomes e perspetivas para o fim de semana de futebol.
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Números da história e dos craques de uma Liga em espera

Começamos com uma curiosidade histórica com várias ramificações, mas o Números Redondos desta semana é também dedicado aos números dos que mais se distinguiram nas primeiras 24 jornadas do campeonato português em termos de golos e remates.

Histórias da História: da jornada 24 até ao fim do campeonato

A análise que se segue não pretende defender qualquer forma de definição do campeão, caso o campeonato nacional desta temporada não possa ser finalizado. Aliás, dificilmente se compreenderia que o título fosse atribuído sem que se cumprissem as 34 jornadas.

Por isso mesmo, esta análise contribui acima de tudo para nos fazer recordar fatos e memórias que fazem parte da história da liga portuguesa.

A proposta é olhar para o passado e ver que clubes estavam na liderança da prova à jornada 24 (aquela em que o presente campeonato foi interrompido), em edições com mais de 24 jornadas, claro, e como terminaram essas edições da competição.

Foi em 1946/47 que o campeonato nacional passou a ter mais de 24 jornadas, o que nos "oferece" um prolongado espaço temporal de análise: 73 anos.

A regra e as exceções

Claramente, a tendência é para que o líder à 24ª jornada seja depois campeão. Assim aconteceu em 64 casos, sobrando apenas 9 vezes em que o primeiro da classificação na ronda 24 foi diferente do vencedor final.

A maioria destes casos (5) aconteceu após o ano 2000 (num espaço de cerca de 20 anos), enquanto que nas 53 edições anteriores sucedeu somente em 4 ocasiões.

Relembre-se que entre 1946/47 e 1970/71 o campeonato tinha somente 26 jornadas, sendo que neste período houve 2 casos de exceção:

- em 1955, o Belenenses era líder à jornada 24 e só perdeu a liderança na última jornada (26ª), a 5 minutos do fim do derradeiro encontro, ao permitir o empate a 2 golos na receção ao Sporting (golo de Martins), que assim ofereceu o título ao Benfica.

- quatro anos depois, em 1959, o Benfica foi líder até à jornada 25, quando perdeu com o Sporting, sendo assim ultrapassado pelo Porto, que foi campeão por somente 1 golo, já que terminou com os mesmos pontos que os encarnados.

Entre 1971/72 e 1986/87, a liga portuguesa teve sempre 30 jornadas, registando-se igualmente 2 casos em que o líder à jornada 24 não foi campeão no fim da prova:

- em 1980: o Porto era líder à ronda 24 e apenas perdeu a liderança para o Sporting na antepenúltima jornada, ao empatar na Póvoa, entregando o campeonato ao Sporting.

- em 1986: o Benfica liderava à jornada 24, e perdeu o título na penúltima jornada, ao ser derrotado pelo Sporting na Luz (1-2), com golos de Manuel Fernandes e Morato, no mesmo dia em que Futre dava a vitória ao Porto em Setúbal.

Já partir de 1987/88, o campeonato foi alargado para 38 jornadas, sendo que depois disso já houve vários avanços e recuos, oscilando a prova entre as 30, as 34 e as 38 jornadas, o que naturalmente fez aumentar os casos de reviravoltas pós-jornada 24. Assim temos 5 casos depois do ano 2000:

- em 2000: o Porto liderava à jornada 24 e foi ultrapassado pelo Sporting à jornada 26, quando os leões ganharam aos portistas em Alvalade por 2-0 (golos de André Cruz - de livre direto - e de Acosta, este após erro clamoroso de Secretário).

- em 2005: Porto e Benfica estavam igualados à ronda 24, com vantagem do Porto no confronto direto, mas o Benfica passou para a liderança à jornada 25, quanto o Porto foi goleado em casa pelo Nacional da Madeira (0-4).

- em 2012: à jornada 14, o Braga comandava, mas tropeçou à jornada 25, ao perder na Luz (1-2), dando o comando da classificação ao Porto, que não mais a perdeu.

- em 2013: Benfica era primeiro à jornada 24, mas foi ultrapassado pelo Porto na penúltima ronda, devido à derrota das águias no Dragão, com o golo de Kelvin.

- em 2016: o Sporting liderava à jornada 24, sendo no entanto vencido em Alvalade na jornada seguinte pelo Benfica, que não saiu do primeiro lugar até final da liga.

Por clube

Fazendo um apanhado geral, por clube, temos que o Benfica era primeiro à jornada 24 em 31 campeonatos (do tais 73 disputados com mais de 24 rondas), acabando por perder 3 deles (todos para o Porto), mas conseguindo noutros 3 casos ultrapassar o líder à 24ª jornada para se sagrar campeão.

Já o Porto era líder à 24ª ronda em 24 ligas, perdendo por 3 vezes essa vantagem (2 vezes para o Sporting e 1 para o Benfica), mas compensando com 4 casos em que ultrapassou na reta final o comandante à jornada 24 (3 vezes o Benfica e 1 o Braga).

No que diz respeito ao Sporting, foi por 15 vezes primeiro classificado à jornada 24, tendo perdido esse estatuto ate final do campeonato em apenas 1 ocasião (para o Benfica). Os leões têm saldo positivo nestas contas, dado que por duas vezes recuperaram a desvantagem que tinham à jornadas 24 até final do campeonato (em ambos os casos perante o Porto).

Finalmente, Boavista, Belenenses e Braga chegaram uma vez cada um à jornada 24 como líderes, mas só os boavisteiros conseguiram manter a liderança até final. O Belenenses perdeu-a para o Benfica e o Braga para o Porto.

Os reis dos golos e dos remates na liga portuguesa 2019/20

Depois do termos feito um balanço coletivo da liga 2019/20 na semana passada, iniciamos hoje os nossos destaques individuais, para já com os dados relativos aos reis dos golos e dos remates.

Golos

Muitas vezes o melhor marcador de um campeonato não é obrigatoriamente o jogador com melhor média de golos por jogo ou por tempo de jogo disputado, dados que dizem muito mais sobre a capacidade goleadora de um jogador.

Mas nas primeiras 24 jornadas do atual campeonato o rei dos goleadores é indiscutível, olhando de qualquer ângulo ou perspetiva de análise: Carlos Vinicius, tem mais golos marcados (15), detém a melhor média por jogo (0.68) e, principalmente, arrasa por completo na cadência de golos: Vinicius assina em média 1 golo a cada 87 minutos.

Claro que falamos de jogadores com mais de 10 jogos disputados, porque se incluirmos todos os futebolistas do campeonato há que destacar também Gerson Dala (Rio Ave) que, começando a jogar apenas em Janeiro, já marcou 3 golos em somente 132 minutos realizados (à cadência média de 44 minutos por golo).

Igualmente impressionante é a performance do brasileiro Anderson Silva (Famalicão), com 7 golos marcados (6 dos quais na condição de suplente utilizado, recorde do campeonato), que marca em média a cada 98 minutos de utilização.

Destaque também para o avançado Paulinho (Braga), o rei dos golos decisivos: o avançado português tem um total de 10 tentos na liga, sendo que 4 deles valeram diretamente 4 vitórias ao seu clube. O segundo melhor neste particular é Sandro Lima, que garantiu ao Gil Vicente 2 vitórias e 2 empates.

Remates

Carlos Vinicius é igualmente o rematador mais letal da liga: em 38 remates efetuados marcou 15 golos: um aproveitamento verdadeiramente incrível, perto dos 50% de eficácia de remate, algo pouco comum, mesmo em termos internacionais.

O segundo melhor neste particular é Fábio Abreu (Moreirense), que marcou 10 golos em 36 remates, o que reflete um aproveitamento de 36%, superior ao de Alex Telles (Porto), com 8 golos em 32 tentativas (25%).

Registe-se que o rei dos rematadores em média por jogo continua a ser Bruno Fernandes (3.5) por jogo, seguido de Wellinton Junior (Aves), com 3.3, e de Paulinho (Braga), com 3.2.

Já no que diz respeito à pontaria, o realce vai todo para Zé Luís (Porto) que acerta no alvo mais de 50% dos seus remates (1.2 em 2.1 remates em média por jogo), seguido de Pizzi e Sandro Lima (ambos com 1.2 em 2.4, o que corresponde a 50%).

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