Números Redondos

João Nuno Coelho traz-nos todas as sextas-feiras, os números, tendências, marcas, nomes e perspetivas para o fim de semana de futebol.
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Um mês depois... Liga está de volta e pode haver novo líder

Quando muitos já nem se lembram dos últimos resultados, eis que um mês depois está de volta a Liga portuguesa e logo com três jogos envolvendo os seis primeiros classificados. Uma sessão quase contínua de três encontros que ocupam tarde e noite de domingo.

Tondela - Benfica (domingo, às 15h00)

É um facto indesmentível que o Benfica não costuma ter dificuldades de maior em Tondela. Nas quatro temporadas (consecutivas) em que o Tondela esteve na I Liga, as últimas quatro, os encarnados ganharam sempre na Beira, e com resultados claros: 3-1, 5-1, 2-0, 4-0 (14-2 em golos, média de mais de três por jogo). Aliás, a única vitória do Tondela sobre o Benfica aconteceu no Estádio da Luz, em 2017/18, matando então as derradeiras esperanças do Benfica chegar ao seu Penta.

A isto deve juntar-se o facto de o Tondela (que até está a fazer um bom campeonato, sendo quinto classificado, apesar de ter mais um jogo disputado, com somente duas derrotas), ainda não ter ganho em casa em casa, somando duas derrotas e um empate.

A equipa do espanhol Natxo Gonzalez dá-se muito melhor fora de casa, não tendo ainda perdido, com vitórias impressionantes nos Barreiros (3-2) e Vila do Conde (4-2), muito graças ao seu venenoso contra-ataque. Fora de casa já marcou oito golos, em casa apenas dois.

Claro que o Benfica estará atento aos ataques rápidos e aos contra-ataques dos tondelenses, e até dispõe da melhor defesa da prova (só três golos sofridos, sendo que dois foram num só jogo: a derrota em casa por 0-2 com o Porto). Outro dado impressionante tem Bruno Lage como protagonista: para o campeonato ganhou todos os jogos disputados fora de casa - 15 vitórias consecutivas, com 35 golos marcados pelo Benfica.

No entanto, pese o segundo lugar no campeonato (a par do Porto) e da vitória a meio da semana para a Liga dos Campeões, parece claro que este Benfica 19/20 de Bruno Lage está muito menos convincente do que o da época passada.

Continua a marcar a um ritmo interessante (e com grande eficácia de remate) e até sofre menos, é verdade, mas cria menos ocasiões de golo (cerca de sete em média por jogo na liga transata contra 5.5 na atual), remata menos (cerca de 17 contra 14.1), acerta muito menos no alvo (cerca de 7 contra 3.7, somente a oitava melhor marca no campeonato) e remata menos dentro da área (10.5 contra 7.9, apenas quinta melhor marca do campeonato).

Pode bem dizer-se que o Benfica tem vivido muito da influência e eficácia de dois jogadores neste início de temporada - Pizzi e Rafa, e ainda na quarta-feira isso ficou provado, com os dois a marcaram os golos encarnados frente ao Lyon.

Os dados comprovam inteiramente esta dependência: dos 16 golos da equipa na Liga, Pizzi esteve em metade (marcou seis e assistiu para dois) e Rafa esteve em três (marcou dois e assistiu para outro). No total da temporada, os dois jogadores estiveram em 22 golos dos 29 golos apontados pelas águias, como marcadores ou assistentes. Já os avançados da equipa (Seferovic, De Tomás e Vinicius) tiveram participação conjunta em apenas oito golos. De realçar que sobram poucos golos para outros jogadores neste arranque de época.

Para enfrentar o regresso em força do campeonato (com três jogos em sete dias), a pior notícia para Bruno Lage é a provável ausência de Rafa (lesionado), e a melhor é o regresso do seu meio-campo preferido: Florentino e Gabriel.

Na constituição da equipa para Tondela, se o Benfica jogar com dois avançados, deve ser Vinicius a fazer companhia a Seferovic, já que aquele tem sido muito mais eficaz que De Tomás. O brasileiro tem quatro golos marcados em 220 minutos de utilização, enquanto o espanhol apenas conseguiu um golo em 743 minutos em campo.

PROBABILIDADES NR: Tondela 12% / Empate 15% / Benfica 73%

Porto - Famalicão (domingo, às 17h15)

Quem arriscaria dizer que à oitava jornada este jogo seria a partida cabeça de cartaz da jornada e não mais um problema teoricamente simples para o Porto resolver, entre um jogo da Liga Europa (que ainda por cima não correu bem) e uma saída sempre muito complicada à Madeira?

Mas a realidade é esta: no Dragão enfrentam-se primeiro e segundo, sendo que o líder até é o visitante, o Famalicão.

Nada mais merecido e justo do que elogiar a performance do "Fama": nunca uma equipa vinda do segundo escalão chegara à sétima jornada na frente do campeonato - em mais de 70 anos de história de campeonato com subidas e descidas (que se iniciaram em 1946/47).

A liderança famalicense é especialmente significativa porque não corresponde a um início desastroso das melhores equipas: o Famalicão está onde está porque venceu seis jogos e só empatou um. O empate aconteceu em Guimarães e o Fama já ganhou em Alvalade, somando 16 golos marcados (tantos quantos Benfica e Porto).

Os minhotos chegam ao Dragão cheios de moral e com grande apoio popular, tendo requisitado todos os bilhetes a que tinham direito para o anfiteatro portista. Note-se que o Famalicão sempre se destacou por levar muita gente aos estádios, tanto em casa como fora, mesmo nos escalões inferiores. O seu estádio leva cinco mil espectadores e está quase sempre cheio, com uma taxa de ocupação perto dos 100%, algo inédito em Portugal.

Claro que o atual sucesso do "Fama" se deve também a uma conjuntura favorável: o investimento realizado por um dono estrangeiro garante jogadores de um nível superior ao que seria de esperar numa equipa com a sua dimensão. O orçamento é de equipa média-pequena, cerca de oito milhões de euros, mas o valor de mercado do plantel (acima dos 20 milhões) é o sétimo do campeonato (atrás dos grandes, Braga, Vitória, Portimonense), muito por conta dos mais de dez jogadores emprestados que apresenta, vindos muitos deles de clubes europeus de renome: At Madrid (Assunção e Perez), Wolverampton (Roderick), Centelles e Racic (Valência), Benfica (Diogo Gonçalves) ou Braga (Fábio Martins).

Claro que as diferenças continuam a ser abissais para os grandes portugueses. Por exemplo, o orçamento do Porto é mais de dez vezes superior ao do Famalicão, o mesmo acontecendo em termos de valor de mercado, com o plantel portista a atingir valores superiores a 260 milhões de euros, de acordo com o transfer markt.

Mas há que contar com o atual empolgamento do Famalicão. O trabalho de João Pedro Sousa (ex-adjunto de Marco Silva e com experiência internacional) também conta muito, e a verdade é que o Famalicão, além de jogar bem, é uma equipa muito competitiva. Tal como fica provado pelas duas reviravoltas nos dois últimos jogos de campeonato (fora com o Sporting e em casa com o Belenenses).

Em termos coletivos, destaque para os 16 golos marcados (melhor ataque) e para a impressionante eficácia de remate: 17% (a do Porto, por exemplo, está na casa dos 13.1). Para isso contribui o facto de o Fama ser a terceira equipa que mais remata no alvo (atrás de Porto e Braga (5.3 por jogo), sendo ainda a equipa mais forte da liga no contra-ataque, já com quatro golos obtidos em contra-ataque puro. Também nas bolas paradas o "Fama" tem um registo interessante, com cinco tentos obtidos desta forma, a terceira melhor marca do campeonato, a seguir ao Porto (oito) e Marítimo (seis).

Tudo isto não invalida que o conjunto de Sérgio Conceição seja favorito à vitória. No Dragão mora a equipa com melhores números ofensivos do campeonato, que ganham ainda maior dimensão quando joga em casa. O Porto é a equipa que cria mais oportunidades na Liga (7.3 em média por jogo), remata mais (17.3), mais vezes acerta no alvo (6.9) e mais remata dentro da área (9.8). E, em casa, venceu os últimos oito jogos no campeonato, incluindo três vitórias em três encontros na presente temporada (com nove golos marcados e nenhum sofrido).

Recorde-se ainda que os portistas venceram os últimos seis jogos na liga, após a derrota inicial em Barcelos.

Em termos de destaques individuais para este jogo, atenção a um inspirado Fábio Martins, que nos últimos três jogos na Liga amealhou quatro participações decisivas em golo (dois golos e duas assistências). Martins, emprestado pelo Braga, com direito de opção de compra dos Famalicenses, leva nesta altura já quatro golos e quatro assistências no campeonato, um total de oito participações diretas em golo, exatamente as mesmas de Pizzi (6+2) e Bruno Fernandes (4+4), o que significa que os dois craques têm este ano concorrência direta (pelo menos para já) na luta pelo estatuto de jogador mais valioso do campeonato.

O número de participações decisivas em golo de Fábio Martins corresponde a 50% dos golos do Famalicão. Igualmente importantes têm sido as contribuições de Rúben Lameiras (um golo e três assistências) e de Anderson (que quase sempre vindo do banco já marcou quatro golos).

No Porto, vale a pena realçar os seis golos de Zé Luís, que é o melhor marcador do campeonato a par de Pizzi. Os portistas devem manter a aposta no onze que tem jogado quase sempre no campeonato, com a única dúvida a residir no posto de ala-esquerdo, entre Luiz Dias e Nakajima, sendo que o extremo colombiano (um golo e uma assistência) tem sido mais produtivo do que o japonês, que ainda não participou diretamente em golos do campeonato. No total da temporada, depois de marcar ao Rangers, Diaz somava já cinco golos e três assistências contra somente um passe para golo de Nakajima.

Historicamente, o confronto é, naturalmente, dominado pelo Porto, mas o Famalicão venceu o último jogo (1-0 em casa para a Taça da Liga em janeiro de 2016) e não perdeu nas duas derradeiras idas ao reduto do Porto (vitória por 1-0 em 92/93 e empate 0-0 em 93/94, ambas as vezes para o campeonato).

PROBABILIDADES NR: Porto 75% / empate 15% / Famalicão 10%

Sporting - Vitória de Guimarães (domingo, às 20h00)

Mesmo tendo vencido o Rosenborg para a Liga Europa, na quinta-feira, o Sporting recebe o Vitória em claro momento de crise em Alvalade. E este não é claramente o adversário mais desejável, até porque entra nesta oitava jornada à frente dos leões na classificação (quarto contra sexto), embora por apenas um ponto, e que tem demonstrado muita qualidade de jogo no que levamos de temporada - veja-se a excelente exibição realizada em Londres, frente ao Arsenal.

Claro que historicamente o Vitória não costuma fazer grandes resultados no reduto do Sporting, tendo por exemplo perdido cinco dos últimos seis jogos aí disputados. Mas é também um facto que os vitorianos estão neste momento por cima do seu adversário em quase todos os indicadores: mais golos marcados (12 - 11), menos golos sofridos (8 - 9), o mesmo se podendo dizer em termos de remates em média por jogo (16 - 13.6), remates no alvo (5 - 4.1), remates na área (9.1 - 6.3), sendo que o Vitória apresenta dos melhores dados do campeonato logo a seguir ao Porto e, em alguns casos, ao Braga.

Para ajudar à "festa" o Sporting perdeu os últimos três encontros em casa para competições internas, dois dos quais para o campeonato, numa sequência de que não havia memória em Alvalade.

A verdade é que os dados de temporada deste leão são verdadeiramente deprimentes: em 13 jogos, somente cinco vitórias, dois empates e seis derrotas, com um saldo de golos negativo (17-22). Note-se que o próprio Vitória de Guimarães (mesmo tendo perdido de forma inglória e imerecida na deslocação ao Arsenal) apresenta resultados muito superiores: em 19 jogos, nove triunfos, seis empates e quatro derrotas, com saldo bem positivo de golos (31-15).

E tudo seria ainda muito mais negro não fosse um super-influente e decisivo Bruno Fernandes, o verdadeiro "abono de família" dos leões e que participou diretamente em nove dos 11 golos marcados pelos leões na liga, apresentando números ainda mais incríveis no total da temporada - basta dizer que esteve em quase 90% dos golos da sua equipa nas diferentes provas.

PROBABILIDADES NR: Sporting 61% / empate 25 % / V. Guimarães 14%

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