O Bichinho da Rádio

Saúde, comportamento e direito animal, Gente, bichos e a nossa vida em comum.
Para ouvir à segunda-feira, depois das 18h30. Com Dora Pires.

A culpa não é da lagarta

Do ponto de vista da Lagarta do Pinheiro, o problema somos nós e o nosso betão. Aumentamos a área de pinhal onde vivem, cortámos-lhe o caminho entre as árvores e o solo, e somos curiosos ao ponto de lhe tocarmos. É quando pode correr mal, mas é para isso que temos Carla Rego.

Carla Rego é entomóloga, o nome enrolado de quem se especializou em insetos, e é investigadora. O nome todo do cargo faz fila - investigadora no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

"Aprender mais, conhecer melhor" é, segundo Carla Rego, a melhor maneira de chegarmos a uma convivência pacífica com este inseto. "Na minha opinião não há motivo para tanta histeria. É sempre uma questão de bom senso".

Trata-se de uma espécie comum em todo o país que cresce nos pinheiros, diversos tipos de pinheiros, e cedros. Na fase inicial, quando vive nos ninhos no cimo das árvores "como novelos de algodão", não é perigosa.

"O problema é quando descem das árvores em direção ao solo, em filas, em procissões (daí o nome Processionária do Pinheiro)". É nesta fase que a lagarta se torna perigosa, por causa da toxina que liberta do corpo coberto de pelos. Na verdade, a lagarta apenas procura um sítio onde possa enterrar-se no solo e completar o ciclo de vida.

O problema é a reação alérgica, por vezes grave, que provoca em pessoas e animais de estimação. Para grandes males há quem ache que o melhor são supostos grandes remédios, como o abate das árvores.

"Gostaria muito de alertar que é uma medida errada e desnecessária", Carla Rego tem respostas alternativas ao abate das árvores: "podem colocar-se cintas adesivas, quando os ninhos não são muito grandes, ou podem instalar-se nos troncos uma espécie de mangas com um líquido - pode ser água - que impeça as lagartas de fazerem o percurso até ao solo".

Uma medida considerada exemplar foi tomada pela autarquia do Seixal, no distrito de Setúbal, "ao ceder ninhos de Sapins, uma espécie de pássaros que se alimenta destas lagartas, a residentes que detetaram lagartas nos respetivos pinheiros".

Um aviso importante é que antes de tomar qualquer medida para minimizar o risco das lagartas do pinheiro, há que estar devidamente protegido com óculos de proteção e luvas.

Uma ajuda é este quiz - Natura non Grata - onde até dia 10 de novembro se podem treinar os conhecimentos e quem sabe, evitar acidentes.

Consulte aqui todas as edições do programa "O Bichinho da Rádio".

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