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«Havia», de Joana Bértholo

É um livro que começa por ser invulgar logo na capa. Uma capa cheia de letras, que deslizam para a badana dificultando a leitura ao primeiro olhar. E o que diz é isto: «Havia uma capa a tentar chamar a tua atenção no meio de tantas outras capas bem mais vistosas».

«Havia» é um livro de histórias estranhas, numa escrita a lembrar um cruzamento entre a poesia experimental dos concretistas e os contos de Mário Henrique Leiria, com uns ecos dos senhores de Gonçalo M. Tavares.

Todas as histórias começam com a palavra Havia e todas têm uma réplica mais curta e mais incisiva logo a seguir. Como neste caso: «Havia uma pessoa que um dia, numa manhã cinzenta, em pleno centro de Londres, acordou bem-humorada». A história é só isto. Na página seguinte temos a réplica: «Eu bem te avisei - este livro está cheio de histórias absurdas».

O absurdo é um dos recursos mais presentes neste livro de Joana Bértholo, ao lado do trocadilho, por exemplo, ou do tom de história infantil para adultos. Há personagens de todos os tipos: «um senhor que mastigava tudo oitenta e oito vezes antes de engolir», «um homem que tomava café para dormir" ou «um absurdo que não ouvia nada bem».

Joana Bértholo gosta de brincar com as palavras.

Livro do Dia: «Havia»; de Joana Bértholo, ilustrações de Daniel Melim, edição Caminho

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