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Foi precisamente há quatro meses que o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, se posicionou com a garantia de que "quem comprar carros a diesel não terá valor na troca daqui a quatro ou cinco anos." Esta afirmação de João Pedro Matos Fernandes deixa então no ar a dúvida: ainda vale a pena investir num carro a gasóleo?
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Para o ministro, a desvalorização dos veículos a gasóleo "é uma tendência fortíssima", devido, essencialmente, às metas que Portugal já estabeleceu de se tornar neutro em gases de carbono até 2050. "O primeiro país do mundo a afirmá-lo", diz João Pedro Matos Fernandes, terá, no entanto, uma década muito exigente pela frente, entre 2020 e 2030.
Um dos grandes inimigos ambientais é o setor dos transportes "responsáveis por uma fatia muito significativa" das emissões, fatia essa que se situa nos 25%. "Temos de chegar a 2030 reduzindo em 40% essas emissões", assevera o membro do Executivo. Nesse sentido, será necessário, explica Matos Fernandes, uma aposta muito grande no transporte coletivo e na mobilidade suave (a pé e de bicicleta), e desenhar as cidades para o efeito.
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"Que o transporte individual seja cada vez mais partilhado e cada vez mais elétrico" é outra das soluções que, segundo o ministro, permitirá seguir o caminho que as Nações Unidas também consideram inevitável.
Por isso, o convidado do Governo para este "Olhe que não" acredita que a tecnologia do motor em combustão será "descontinuada com o tempo."
Depende de cada fabricante, porque isso é o mercado a funcionar.
Por outro lado, o dirigente da Associação do Comércio Automóvel, Hélder Pedro, garante que "a indústria automóvel é a que mais investe, na União Europeia, em investigação e desenvolvimento" e que esta é também a que "mais tem feito, na última década, para reduzir as emissões de CO2", com valores de descida próximos dos 45%, desde 2005.
Hélder Pedro também frisou o "compromisso, em termos comunitários, dos construtores com a Comissão Europeia, em que os carros vão cumprindo certas normas coletivas", como o programa Euro 6d, segundo o qual "ao nível das partículas, praticamente não há emissões."
Mas o principal argumento apresentado pelo líder da ACAP é a "necessidade de renovar o parque automóvel", uma vez que será este o grande contributo para atingir as metas definidas em 2015 pela Comissão Europeia, bem como o Acordo de Paris e o Protocolo de Quioto.
Hélder Pedro analisa, assim, que a indústria automóvel deve ser orientada em termos de metas, mas não em termos da tecnologia utilizada. "Depende de cada fabricante, porque isso é o mercado a funcionar."
Este ponto é rebatido por João Pedro Matos Fernandes, que refere que "cabe ao Governo dar valor àqueles que têm opções ambientalmente justas." O ministro continua a traçar um horizonte de tempo para a "morte" do diesel, e ambos os convidados concordam com uma transição energética pensada e com tempo.
