Postal do Dia

Já ninguém escreve postais, mas a TSF insiste e manda bilhetes postais com destinatário. Em poucas palavras mas com ideias que fazem pensar: "Postal do Dia", com Luís Osório. De segunda a sexta-feira, depois das 18h00 e sempre em tsf.pt.

Afinal, Pedro Nuno Santos não "morreu"

1.

Nestas férias já me aconteceu duas vezes.

Uma em Lisboa e outra em Évora.

E se na primeira fiquei a pensar, na segunda senti-me na obrigação de escrever este postal para assumir, com cilício e em penitência, que as minhas certezas sobre Pedro Nuno Santos eram precipitadas e até um pouco ridículas.

Bastou um mês e meio para que a minha sentença de morte política do ministro perdesse o seu prazo de validade. Uma precipitação que diz um bocadinho de mim e muito da política, um ofício tão complexo como o ofício de viver celebrado por Cesare Pavese.

2.

O homem não só não morreu como nunca esteve tão vivo.

Não diria vivo e de saúde para o primeiro-ministro ou para parte importante dos seus colegas de governo.

Pedro Nuno Santos, depois de anunciado o novo aeroporto à revelia do mundo, continua desse ponto de vista fragilizado. Apoiado certamente por uns, menorizado por outros, nenhuma novidade substancial.

Mas será a falta de amor governamental assim tão importante para o ministro?

3.

Com este aparte ia-me esquecendo das conversas de café.

As duas que ouvi nos últimos dias.

O rumor que cresce.

O povo que em surdina vai dizendo.

"Se fosse o ministro a mandar já se tinha resolvido".

"Quem está a atrasar o processo é o Costa"

"O tipo pode ser espalha-brasas, mas decide e tem coragem".

"Vais ver que o aeroporto não avança porque o ministro tem as mãos e os pés atados".

4.

Para isto não ser exclusivamente uma penitência quero recordar que também escrevi que o primeiro-ministro precisava de resolver o assunto do aeroporto o mais rapidamente possível sob pena de poder virar-se o feitiço contra o feiticeiro.

Só que mesmo aí o meu cálculo estava errado no tempo.

Pensava que a malta se iria questionar daqui a mais tempo, pensei no fundo que António Costa poderia resolver o tema num prazo mais dilatado.

Só que menos de dois meses depois já o povo começou a construir certezas - se fosse pelo ministro as coisas avançavam, afinal ele não é tão maluco como o desejavam pintar, um dia que vote nele já sei que pelo menos faz mexer e as coisas acontecem.

5.

Resumindo e concluindo, e tendo em conta o que se vai vendo e ouvindo na Pátria, não só Pedro Nuno Santos continua no tabuleiro na guerra dos tronos socialista como reforçou a inevitabilidade de um dia suceder a António Costa na liderança do PS.

Se depois será primeiro-ministro se verá depois e aí saberemos como correram as coisas nos pontais desta vida e das outras - para quem acredita na transcendental providência eis um tópico interessante e divertido.

Pelo sim pelo não aposto que alguns penitentes - noutra espécie de penitência que não a minha - não se importarão, quando o momento chegar de esgotar o arsenal de velinhas, mezinhas e orações para que o homem não chegue a São Bento.

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