Postal do Dia

Já ninguém escreve postais, mas a TSF insiste e manda bilhetes postais com destinatário. Em poucas palavras mas com ideias que fazem pensar: "Postal do Dia", com Luís Osório. De segunda a sexta-feira, depois das 18h00 e sempre em tsf.pt.

Um segredo que espero possas guardar para a vida

1.

Sabes que dia é hoje?

É dia de fazeres a Árvore de Natal.

Não tens desculpa, se fossemos amigos eu não aceitaria uma única justificação que me pudesses dar.

Estares sozinho não é opção.
Monta a "árvore" e não te esqueças das luzinhas que piscam. Podes comprar em qualquer loja do "chinês" e são imbatíveis, por muito que procures não encontrarás nada que te devolva tão rapidamente a infância. Vale bem os euros que gastares.

Estares doente também não é opção.

Ou estares de luto.

Ou não acreditares em Deus.

Ou estares farto ou farta do Natal, do consumo, das rabanadas, do George Michael e do seu Last Christmas ou do "Sozinho em Casa" e do puto que na vida real se perdeu nas ruas da amargura.

2.

Disseram-me que não se usam luzes de todas as cores. Que já não se poem fitas douradas à volta como se fossem caracóis brilhantes.

No tempo em que esperava por presentes, as árvores eram assim dentro da minha cabeça. Pinheiros que se compravam na rua a senhores que pareciam conhecer o Pai Natal.

Um pinheiro que picava a cara e os braços enquanto o transportávamos até casa. Tinha um cheiro único e havia sempre um vaso de areia ou um balde de chapéus de chuva que o recebia como se fosse família.

As bolas partiam-se quando caiam ao chão.

Lembras-te?

Depois começaram as de plástico, duravam uma vida e eram mais caras se parecessem verdadeiras.

Tenho quatro filhos que são seis.

E uma mulher que é uma espécie de Maria na "Música do Coração".

Fugi toda a minha vida de uma ideia de família e agora pareço o Capitão Von Trapp.

3.

Voltei (está claro) a comprar uma árvore por causa dos pequeninos.

Com o Afonso no carrinho das compras fomos buscar a maior que havia, chegava quase ao teto.

Fiquei num dia 1 de dezembro a vê-los montar a árvore com que sempre sonhei.

A ver o Natal nos seus olhos.

O mais velho pegou na mais nova e ajudou-a com a estrela que só brilha no topo.

Depois foram fazendo presépios, desenhos, pretextos de conversa.

Penduraram chocolates que eu comi às escondidas nas noites em que ficava sozinho a ver as luzes.

E a regressar à infância.

Aos que perdi.

Aos que reencontrei.

Ao tanto que ainda sonho.

Aos embrulhos que não abri.

Às memórias que me ajudam todos os dias a não esquecer o que conta.

4.

Desculpa incomodar-te o feriado.

Mas ouve o que te digo.

Faz a árvore.

Mesmo que estejas em baixo, faz a árvore e não te esqueças das luzinhas que piscam.

São mágicas e vão ajudar-te a acender a luz no que em ti ainda brilha.

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