Sem medo do Medo

Estar de quarentena ou em isolamento social, pode ser uma experiência particularmente difícil. Sobretudo quando as crianças também estão em casa, 24 horas por dia. Até que ponto é que a falta de acesso à cultura e ao lazer nos pode ajudar a deprimir? Como gerir as emoções em família? Como preparar as crianças para notícias tristes? A TSF, em parceria com a Ordem dos Psicólogos, vai dar resposta aos desafios que se colocam a todos nós, neste período particularmente difícil.
De segunda à sexta, às 9h30, um psicólogo responde às perguntas de Teresa Dias Mendes e desenvolve em tsf.pt as várias perspectivas sobre os danos colaterais desta pandemia.

Como combater os sentimentos de solidão em tempo de Covid-19?

As medidas de isolamento social, com limitação de contactos presenciais, justificada pelo risco de contágio pelo COVID‑19 podem potenciar sentimentos de solidão.

O sentimento de solidão é uma resposta emocional complexa e geralmente desagradável que inclui percepções de falta de conexão ou comunicação com outras pessoas.

Pode ser vivenciado mesmo quando estamos rodeados por outras pessoas e não se deve necessariamente a um isolamento objectivo.

As causas destes sentimentos são variadas e incluem fatores sociais, emocionais e físicos. As pessoas podem experimentar sentimentos de solidão por diversas razões. Muitos acontecimentos podem causá-lo, como a falta de relações de amizade durante a infância e adolescência ou a ausência física de pessoas significativas.

Pode também ser um sintoma de dificuldades emocionais mais acentuadas ou de depressão. Muitas pessoas experimentam a solidão quando são deixadas sozinhas, como consequência de uma separação definitiva ou de longo prazo. Nessa eventualidade, a pessoa pode sentir-se solitária, mesmo na companhia de outras.

O sentimento de solidão pode ocorrer após separações de pessoas significativas ou no decurso de alterações nas dinâmicas familiares, como por exemplo o nascimento de um irmão, a saída da casa dos pais, alterações relacionadas com o trabalho ou mudanças de residência. O sentimento de solidão pode também ocorrer no contexto dos relacionamentos íntimos quando a pessoa sente que não recebe afecto, que não é compreendida ou que o parceiro não proporciona apoio emocional.

A investigação mostra que sentimentos de solidão crónica estão associados a uma maior incidência de doenças e a um risco maior de morte prematura.

Leia mais: Como lidar com uma situação de isolamento.

É conhecida a relação entre a solidão e:

- O aumento de quase um terço do risco de sofrer doenças cardiovasculares;
- Redução da eficiência do sistema imunológico;
- Maior probabilidade hipertensão arterial;
- Aumento de 30% no risco de morte súbita prematura;
- Obesidade;
- Consumo de substâncias;
- Aumento do risco de desenvolver demência;
- Aumento do risco de artrite;
- Aumento do risco de diabetes tipo 2 e,
- Aumento do risco de suicídio.

Iniciativas que contribuam para a redução dos sentimentos de solidão numa fase em que as medidas de confinamento em casa podem potenciar este tipo de resposta emocional são recomendadas nesta fase de pandemia. Os contactos regulares não presenciais com pessoas vulneráveis e que tenham dificuldade em procurar apoio devem ser potenciados numa perspetiva solidária de promoção dos comportamentos pró-sociais, assegurada por familiares, amigos e profissionais de saúde ou da área social.

Nesta fase em que, para além da solidão, podem surgir sentimentos de medo associados à possibilidade de contrair a doença ou havendo já uma infeção diagnosticada, à doença de familiares ou amigos e à imprevisibilidade em relação à evolução da pandemia e consequentes alterações nas rotinas decorrentes do estado de emergência em que nos encontramos, estes contactos constituem um mecanismo importante de manifestação de preocupação e de afecto essenciais para o bem-estar emocional e saúde psicológica das pessoas.

* Renata Benavente, Membro da Direção Nacional da Ordem dos Psicólogos Portugueses

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