Sem medo do Medo

Estar de quarentena ou em isolamento social, pode ser uma experiência particularmente difícil. Sobretudo quando as crianças também estão em casa, 24 horas por dia. Até que ponto é que a falta de acesso à cultura e ao lazer nos pode ajudar a deprimir? Como gerir as emoções em família? Como preparar as crianças para notícias tristes? A TSF, em parceria com a Ordem dos Psicólogos, vai dar resposta aos desafios que se colocam a todos nós, neste período particularmente difícil.
De segunda à sexta, às 9h30, um psicólogo responde às perguntas de Teresa Dias Mendes e desenvolve em tsf.pt as várias perspectivas sobre os danos colaterais desta pandemia.

Como fruir das artes visuais em tempos de Covid19?

É inegável a importância para o nosso bem-estar e para a nossa saúde mental desenvolvermos emoções positivas.

Tal como quando ouvimos uma boa música, apreciar artes visuais é seguramente uma boa forma de despertarmos essas emoções e sentir a plenitude desses momentos, comportando benefícios no plano psicológico.

Todos os nossos sentidos podem contribuir para a nossa fruição, mas a audição e a visão são os nossos dois principais sentidos para a relação que estabelecemos com as atividades culturais.

É fantástica a sensação de plenitude e preenchimento que temos quando inspiramos profundamente ao sermos confrontados com a beleza duma obra de arte, pela cor ou pela forma que esta apresenta.

Mas, para além da componente emocional, uma obra de arte também pode ter uma dimensão cognitiva.

Sendo a arte uma forma de comunicação, muitos artistas procuram expressar, não apenas emoções e sentimentos, mas também ideias e conceitos nas suas produções artísticas.

Costuma dizer-se que uma imagem pode valer mais do que mil palavras e, desta forma, uma obra de arte visual pode conseguir sintetizar ideias que ajudam a tomada de consciência e a reflexão do espetador, para além da componente emocional que possa comportar.

Embora atualmente haja muitas obras de arte urbana, acessíveis a qualquer um, as visitas a museus permitem-nos um contacto mais sistemático e organizado com as artes visuais.

No entanto, têm sido várias as semanas de confinamento que nos têm impossibilitado visitar museus ou exposições de forma presencial.

E, mesmo terminando o estado de emergência nos vários países, as restrições em espaços públicos irão manter-se por algum tempo.

Os museus e espaços de fruição de artes visuais não são exceção.

Assim sendo, têm sido muitos os museus que, embora estando encerrados para visitas presenciais, têm criado a possibilidade de visitas virtuais às suas exposições.

Embora nada supere uma visita presencial, a era digital tornou possível fazer visitas virtuais pelas coleções dos museus, enquanto permanecemos confortavelmente sentados no sofá.

Sem termos necessidade de viajar, sem filas e tempos de espera, para além de não termos que pagar ingresso, podemos ficar a conhecer muito do conteúdo dos principais museus do mundo através dos seus sites, sem pressas.

Esta é seguramente uma boa forma de aproveitar o isolamento social, entrando pelas "portas" digitais desses museus.

Numa iniciativa promovida pela plataforma da Google dedicada à arte e à cultura, e pensada em todas as pessoas que estão em isolamento pelo mundo, várias centenas de museus juntaram-se para oferecer estas visitas online às suas coleções.

Através do site artsandculture pode visitar e conhecer as obras que se encontram no Museu Van Gogh, na Holanda, mas também ver a coleção do Museu do Louvre, em França, ou o espólio do MoMA-Museu de Arte Moderna, nos EUA.

Temos, assim, uma excelente oportunidade de imergir na história e na arte através das visitas virtuais a museus!

No entanto, embora tenha salientado a importância de visitarmos museus e da relação com as artes visuais de forma mais formal, gostaria de terminar destacando que a arte também está na forma de observar e fruir daquilo que está à nossa volta, pelo que devemos procurar apreciar aquilo que nos rodeia, com consciência plena, foco, calma, serenidade e gratidão pelos momentos em que contemplamos cada pormenor...

*Saúl Neves de Jesus, Psicólogo, Professor Catedrático da Universidade do Algarve, Pós-doutorado em Artes Visuais

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